Daniela Cristina Bogni: 11218577
Debora Ngan Guei Lai: 11218650
Guilherme Filipe Feitosa dos Santos: 11275092
Leila Gomes Ferreira: 11218581
Marina Nastri da Costa Pereira Rodero: 10093702
Thais Regina Sales Faria: 10748708
# 1. Introdução
A internet é um grande sistema de redes de nível global que funciona sem um controle central; esse sistema começou a ser desenvolvido na década de 1960 a partir da necessidade de mais rapidez e segurança para a troca de informações.
Não demorou muito para as empresas entenderem o potencial que a troca de informações a nível mundial tinha para impulsionar os negócios, assim, aumentava rapidamente os investimentos para melhorias de conexão e acessibilidade. Atualmente as transações vão além de produtos e serviços, a internet criou novos mercados, onde as visualizações e consumo de conteúdo são a chave do negócio.
No início dos anos 2000 os usuários passam a não só navegar mas também interagir nas páginas web, os blogs surgem permitindo a criação de um conteúdo mais dinâmico e subjetivo. Assim, usuários do mundo todo passam a se reunir em ambientes virtuais a partir de interesses pessoais em comum; o uso da internet deixa de ser apenas informativo, criando um novo meio de comunicação. Além disso, o ambiente virtual passa a ser uma extensão da vida pessoal com o surgimento de ferramentas de publicação pessoal, as mídias sociais. Estas vão aumentar o fluxo de conteúdo criado por indivíduos consolidando plataformas de armazenamento, como o YouTube.
Nesse processo de tornar a navegação cada vez mais pessoal e imediata, surgem as redes sociais, de modo que a interação social física passa a andar em paralelo com as interações feitas virtualmente. Essa mudança brusca no modo de se inserir na sociedade vai trazer à tona questões como a valorização dos relacionamentos virtuais em detrimento das interações físicas e a dependência de interações virtuais.
Com a facilidade de produzir e consumir conteúdos surge uma certa vulnerabilidade na transmissão de informações; o interesse pessoal em número de acessos e visualizações juntamente com a necessidade de transmitir uma ideologia interferem na veracidade de notícias e conhecimentos compartilhados. Assim, surgem fenômenos como clickbait, fake news e desinformação. Esse cenário fica mais complexo quando levamos em conta os diferentes perfis de usuários de redes sociais, o que está diretamente ligado ao contexto socioeconômico do indivíduo; surge então o conceito de desigualdade digital, um problema que engloba os níveis de acesso a microcomputadores, smartphones e provedores de internet, e outras questões sociais que conferem vulnerabilidade ao indivíduo que consome uma informação.
Um outro problema do rápido avanço do acesso à internet foi a informatização do crime organizado e os surgimentos dos crimes virtuais, o surgimento repentino de uma nova categoria de delitos nunca previstos na legislação abriu uma brecha para a ocorrência sistemática de golpes e novos tipos de infrações violentas.
Como consequência, a necessidade de utilizar tecnologias como a internet tem se tornado, para alguns, um vício. Nesse sentido, temos lidado cada vez mais com a dependência tecnológica e suas problemáticas relacionadas, a serem também abordadas no trabalho.
# 2. Fundamentação teórica
## 2.1 - Internet
A internet chega ao alcance do público nos anos 90, nesse período é desenvolvida a World Wide Web (WWW), um ambiente que permite a troca de informações via multimídia revolucionando o acesso a internet. Isso somado à popularização dos microcomputadores, impulsionou o acúmulo de informações disponíveis na rede e aumentou o número de usuários. A partir daí a WWW é aprimorada com o emprego de HTML e HTTP, entre outras soluções, que facilitaram o início de operações comerciais, o que ficou conhecido como E-commerce.
## 2.2 - Redes Sociais
Definidas como ambientes virtuais em que pessoas com interesses em comum compartilham e trocam informações, as redes sociais têm ganhado força, de forma ascendente no cotidiano mundial, tal como em contextos laborais e educacionais. A suposta primeira rede social registrada, o “Classmates” (1995) - criada por Randy Conrads - surgiu dentro de um contexto em que já havia internet e com o intuito de conectar amigos de escola. Entretanto, duas outras redes podem ser consideradas como os primeiros serviços sociais antes mesmo do surgimento da internet: a BBS e o Quantum Link.
## 2.3 - Fake News, Desinformação e Infodemia
A Fake News, de modo geral, trata-se de uma tentativa de danificar a credibilidade da informação e são majoritariamente publicadas nos veículos de informações digitais. Já a Desinformação, é uma tentativa intencional de manipular a população por meio de transmissão de informações desonestas.
Em vista disso, temos, então, que a Infodemia se diz respeito ao aumento exponencial na quantidade de Fake News e Desinformação acerca de um determinado assunto.
## 2.4 Bolhas sociais
Cunhado em 2011 por Eli Pariser, o chamado "efeito bolha" diz respeito à forma como os algoritmos das redes sociais tendem a fazer com que seus usuários tenham suas visões de mundo apenas reforçadas os inserindo em contextos onde todos pensam da mesma forma. Esses grupos com interesses e opiniões parecidas são chamados então de "Bolhas sociais".
## 2.5 Deep Web
O termo Deep Web se refere à parte da internet que não pode ser acessada pelos mecanismos de buscas tradicionais como Google ou Firefox. Sua origem se deu no Laboratório de Pesquisas da Marinha dos Estados Unidos, que tinha como objetivo mandar e receber informações sem que terceiros saibam a origem ou o destino desses dados.
Os produtores dos conteúdos disponíveis na Deep Web priorizam o seu anonimato, com softwares que obscurecem suas identidades. O sistema faz uso de diversos servidores voluntários que encobrem a rota de transmissão de informações entre origem e destino, tornando mais difícil saber de quem são os dados, onde está ou de onde veio a informação.
A Deep Web tem como objetivo permitir a privacidade e a liberdade de informação. E é bastante utilizada em países com políticas de censura, e para aqueles que desejam privacidade.
# 3. Exemplos reais
## 3.1. Ativismo nas redes sociais
Um dos exemplos mais diretos de como a Internet pode impactar o mundo real nos tempos atuais é o de situações onde comunidades de ativismo utilizaram o alcance de redes sociais para trazer atenção para problemas existentes que eles tentavam solucionar ou melhorar. Esse é um método de ativismo que vem crescendo no mesmo ritmo com o qual a quantidade de usuários de redes sociais vem crescendo. Apesar de existirem questionamentos sobre o impacto real do uso desse método é inegável o alcance, muitas vezes global, que uma campanha realizada pelas redes sociais pode ter. Além disso, existem exemplos onde essas campanhas levaram a grandes efeitos.
Um deles é o da hashtag #MeToo criada em 2017 após múltiplas denúncias de assédio foram feitas sobre o produtor de Hollywood, Harvey Weinstein. Não só foi um movimento que teve um grande impacto em Hollywood, fazendo com que outros homens fossem expostos e demitidos, como também encorajou pessoas, principalmente mulheres, em uma escala global a denunciarem situações semelhantes.
Outro exemplo de uma campanha que só foi possível devido a internet é o da organização MEAction que reúne pessoas que sofrem com fadiga crônica e busca organizar manifestações ao redor do mundo para chamar atenção a importância de estudar essa doença para encontrar uma cura e de inserir essa comunidade na sociedade. Por ser uma doença que, muitas vezes, torna difícil que quem sofre dela saia de casa, as atividades dessa organização seriam impraticáveis sem a internet.
## 3.2. Morte de Fabiane
No ano de 2014, Fabiane Marina de Jesus de 33 anos foi espancada até a morte pelos moradores do Guarujá em decorrência de uma fake news espalhada no Facebook.
A falsa notícia espalhada dizia a respeito de uma mulher, a qual sequestrava crianças e as utilizava em rituais de magia negra. O crime ocorreu após a divulgação de um retrato falado nas redes sociais, em conjunto com a foto da vítima que a acusava, porém, o retrato foi feito pela Polícia Civil do Rio de Janeiro por conta de um crime o qual havia ocorrido 2 anos antes do linchamento de Fabiane. Depois desse retrato ser espalhado nas redes sociais, 5 moradores espacaram a mulher até a morte.
Em suma, observamos o poder que a disseminação de Fake News possui, levando pessoas inocentes à morte.
## 3.3. Documentário Shiny Flakes
O documentário Shiny Flakes disponibilizado na Netflix, faz retrato ao caso real que aconteceu na Alemanha, em que um jovem de 19 anos criou uma loja online de vendas de drogas. O jovem chamado Maximilliam Schmidt criou o site dentro do seu quarto, na casa de seus pais. O jovem utilizava apenas de um computador com acesso a internet para construir toda a logística e funcionamento do site de vendas e despachava seus pedidos nos correios para todo o mundo.
Os interessados o encontravam através de uma busca simples no Google ou na Deep Web.
Schmidt foi condenado a 7 anos de prisão em penitenciária juvenil e já cumpriu a sentença.
Este caso mostra como a internet aumentou o alcance das vendas e facilitou a conduta criminosa, mesmo em navegadores tradicionais como o Google ou na Deep Web, que permite navegação sem rastreamento.
## 3.4. Roubos via Pix
Um exemplo atual em que a internet facilita as condutas criminosas é o roubo por meio do Pix: método de pagamento eletrônico instantâneo criado pelo Banco Central do Brasil. O projeto permite transações bancárias imediatas durante 24h por dia e 7 dias por semana. Tem como foco a segurança do usuário, já que com o uso do Pix, diminui a circulação de dinheiro físico. Para realizar uma transação, é necessário ter apenas um dispositivo conectado à internet, uma conta corrente que permite esse tipo de pagamento e uma chave cadastrada. Dessa forma, a metodologia garante facilidade, agilidade e eficiência nas transações. Como a operação é instantânea, provoca mais dificuldades aos casos em que é necessário desfazer tal transação.
No entanto, com toda a agilidade e eficiência que o Pix permite, implica num facilitador das ações de criminosos, fazendo o uso do Pix para roubo, visto que o processo de transferência é rápido e prático.
# 4. Discussão
## 4.1 Aspecto social da internet

Jason Howie, CC BY 2.0 <https://creativecommons.org/licenses/by/2.0>, via Wikimedia Commons
Os primórdios da sociabilidade virtual deram início a uma grande revolução na sociedade mundial, em que pessoas, as quais antes demoravam dias, semanas ou até meses para conseguirem uma comunicação à distância, começaram a ter alternativas para agilizar e facilitar a comunicação.
Durante a cronologia mundial e com o "boom" da internet, muitos foram os avanços tecnológicos que permitiram a evolução e o crescimento acelerado da redes sociais, de forma a permitir que pessoas se comuniquem instantaneamente e compartilhem informações, fotos, vídeos e, ainda, interajam em conteúdos digitais. Dentre exemplos mais antigos de redes sociais, as quais já fizeram sucesso no mercado digital, pode-se citar o Orkut, o Messenger, Vine e o ICQ. Já entre os exemplos de destaque de redes sociais no mundo virtual contemporâneo, estão o Facebook, o Instagram, o Twitter, o WhatsApp e o LinkedIn.
Tanto a internet, quanto os meios de comunicação, as redes sociais, surgiram para trazer benefícios à sociedade. Porém, como tudo o que existe, as estruturas on-line também possuem aspectos que as tornam negativas perante à comunidade, em que os próprios usuários são os responsáveis por essa negatividade. Como pontos positivos da internet e das redes sociais, têm-se o intercâmbio cultural, a agilidade na troca e disseminação de informações, a proximidade virtual entre as pessoas, a facilidade empresarial na divulgação de marca, conteúdo e anúncios publicitários, o lazer (quando usada conscientemente) e a criação de novos empregos no meio digital e tecnológico (por exemplo: social media). Por outro lado, o uso intenso das redes sociais pode causar vício aos usuários, além de ser espaço para as "Fake News" e, ao ser usadas de formas inapropriadas, podem ser rotuladas como ambiente de alta exposição pessoal e familiar, tal como ambiente de agressão moral e de ataque à privacidade.
Considerando os efeitos citados é interessante notar que a Internet em seu aspecto social mostra cada vez mais influência nos relacionamentos interpessoais e também nas sociedades como um todo. Quanto aos relacionamentos interpessoais, apesar de ser comum, a ideia de que o uso de tecnologias leva a um comportamento antissocial não possui dados relevantes para a apoiar. Mesmo para os relacionamentos não virtuais, as redes sociais podem servir como uma ferramenta para que eles sejam expandidos. Isso ocorre, por exemplo, na facilitação para o agendamento de eventos ou possibilitando mensagens e ligações mais frequentes. Além disso, os relacionamentos virtuais vieram como uma alternativa para aqueles que não se sentiam confortáveis em criar laços do modo tradicional de não terem necessariamente que se isolarem. Em ambos os casos, mas principalmente em relacionamentos virtuais, é possível perceber que, com a tecnologia como intermediário, as pessoas se sentem mais confortáveis a compartilhar informações e sentimentos pessoais, o que pode ser perigoso, dependendo do contexto, mas também pode possibilitar a criação de relações menos superficiais. Ademais, a instantaneidade das novas formas de comunicação traz com ela um aumento na expectativa de disponibilidade de todos a todo momento, afetando também as expectativas no âmbito dos relacionamentos.
A expansão da comunicação para uma escala global também tem um efeito no âmbito da sociedade. Esse contexto possibilita que pessoas com interesses e objetivos parecidos se encontrem e discutam, além disso, também incentiva um intercâmbio entre diferentes culturas. Essa globalização de culturas por vezes, também pode tornar conceitos que costumavam ser estritamente regionais, como padrões de beleza e modas, cada vez mais parecidos ao redor do mundo por conta das redes sociais. Outra forma na qual a Internet pode gerar mudanças é através da forma como os usuários consomem informações. Atualmente a quantidade disponível de conteúdos na Internet é extremamente grande o que torna difícil para cada indivíduo filtrar esses conteúdos. Por esse motivo podemos perceber populações que, mesmo que estejam mais interessadas em se manter informadas, são também mais vulneráveis a informações falsas. Além disso, os algoritmos das redes sociais acabam incentivando que as pessoas consumam conteúdos sempre similares ao que estão acostumadas e interagir apenas com quem pensa de forma similar de modo a não expandir suas visões de mundo, o que leva a criação de bolhas sociais que tornam sociedades cada vez mais polarizadas.
## 4.2 Fake News e Desinformação
As fake news, como dito anteriormente, são notícias falsas que descredibilizam as notícias verdadeiras e acabam provocando a desinformação e até mesmo a infodemia. Podemos dizer que existem 2 motivos para a disseminação dessas informações, sendo eles: interesse econômico e interesses ideológicos.
Em ambos os casos temos a criação de sites que possuem exatamente a intenção de criar manchetes virais e polêmicas, de modo que o leitor não pare para refletir se aquele conteúdo é verídico ou não, apenas o propague.
Quando se trata de interesse econômico as manchetes polêmicas atraem o público, e como os sites se mantém com propagandas e publicidade, quanto mais acessos, mais dinheiro renderá para os criadores da plataforma web em questão. Em contrapartida, os sites têm como interesse também denegrir a imagem de figuras públicas, principalmente políticos, e em momentos de instabilidade política a criação e disseminação dessas informações se tornam mais fáceis.
Se analisarmos, as redes sociais possuem grande destaque na circulação de notícias, ultrapassando os veículos de mídia tradicional, como os jornais mais importantes do país. E também, sabemos que a sociedade ocupa muito tempo do dia olhando as redes sociais, o que nos leva a viver em um constante bombardeamento de informações. Por consequência dessa quantidade de informações,a sociedade vai perdendo aos poucos a capacidade de se questionar sobre o que está lendo e apenas consuma um conteúdo seguido de outro, além de denegrir a imagem de pessoas, manipular eleições e causar mortes.
## 4.3 A internet como facilitador de condutas criminosas
A Deep Web é parte da internet que possibilita a navegação sem rastreamento, o seu principal objetivo é garantir a privacidade e anonimato dos usuários. De início, a Deep Web foi utilizada para enviar e receber informações confidenciais. No contexto atual, a forma de navegação no anonimato é muito importante em países onde existe censura, pois com essa forma de navegação, torna-se possível a liberdade de expressão nesses países.
Contudo, o anonimato e a navegação sem rastreamento são alguns pontos que facilitam as ações dos criminosos. Os mesmos utilizam da Deep Web para vendas e compras de produtos ilegais e para práticas de outras condutas criminosas.
Como exemplo, podemos citar o caso do Shiny Flakes que aconteceu na Alemanha e posteriormente foi feito um documentário e disponibilizado na Netflix. O caso é sobre um jovem que conseguiu criar um site que vendia e enviava drogas e remédios controlados para o mundo todo, os pagamentos eram por meio de Bitcoins. O jovem utilizava da Deep Web para se comunicar com seus fornecedores, mas o site de vendas podia ser encontrado através dos mecanismos de busca tradicionais como o Google.
Com base nesse ocorrido, o jovem obteve sucesso por conta do grande alcance da internet, e a privacidade que a Deep Web proporciona.
Com a constante evolução da internet, foi inevitável a criação de novos meios de pagamentos para a população, no Brasil, o Banco Central lançou o Pix como um novo meio de pagamento quase instantâneo que funciona durante 24h por dia e 7 dias por semana. O Pix foi revolucionário em um país que antes permitia apenas transferências por meio de TED ou DOC. Ao mesmo tempo que o novo método de pagamento traz rapidez e eficácia nas transferências, alguns indivíduos se aproveitam desta tecnologia para realizar assaltos, usando apenas o dispositivo da vítima, sem a necessidade de ir até um caixa eletrônico.
Portanto, tomando como base os exemplos citados, resume-se que a evolução e o alcance da internet facilita as condutas de criminosos.
## 4.4 Dependência tecnológica

Today Testing(for derivative), CC BY-SA 4.0 <https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0>, via Wikimedia Commons
Constantemente, a sociedade evolui face à criação de novas tecnologias que tornam mais práticas as atividades desempenhadas pela humanidade. Nesse contexto, alguns indivíduos, por não conseguirem controlar suas necessidades, acabam se tornando dependentes dessas tecnologias, gerando prejuízos em vários aspectos de suas vidas, bem como prejudicando seu bem-estar.
É inegável a importância que a evolução tecnológica tem nas nossas vidas. A internet foi desenvolvida pelos norte-americanos, na época da Guerra Fria (1947 – 1991), com o intuito de se comunicarem com seu exército durante a guerra caso os meios de comunicação tradicionais da época fossem destruídos em ataques. Apesar do cenário de origem, a internet, como já citado, foi revolucionária no que diz respeito à troca de informações. Hoje em dia, graças a ela, é possível, por exemplo, a realização das telecirurgias, cirurgias realizadas ou monitoradas por um médico que não está no mesmo local que o paciente, e a comunicação instantânea com pessoas que estão do outro lado do planeta, permitida pelo correio eletrônico e pelas redes sociais.
Contudo, o uso excessivo dessa tecnologia, em níveis que caracterizam vício, passou a ser um dos grandes responsáveis pelo aparecimento e/ou agravamento de problemas, sobretudo mentais. Pessoas que preferem o meio virtual para se relacionar, sobretudo aquelas com timidez excessiva ou alguns transtornos mentais, consomem cada vez mais a internet e suas redes sociais. Quando essa preferência faz com que as pessoas passem mais tempo no meio virtual do que no meio físico, algumas delas podem ser acometidas pela dependência tecnológica. A consequência disso é a intensificação do desenvolvimento de quadros de ansiedade, depressão, isolamento social, conflitos familiares e até mesmo de problemas físicos como obesidade.
Ademais, o desenvolvimento de tecnologias de iot (internet of things ou, em portugês, internet das coisas), a exemplo daquelas que possibilitam a automação residencial, podem promover, também, quadros de dependência em alguns indivíduos, isso posto que a automação residencial busca tornar a vida dos indivíduos mais cômoda. Porém, esse comodismo, quando em excesso, pode fazer com que as pessoas se tornem dependentes e deixem de praticar atividades mínimas em suas rotinas, potencializando o desenvolvimento de sedentarismo e obesidade. Um exemplo prático disso é retratado no filme Wall-e, onde a humanidade é tão dependente das tecnologias e dos robôs que acaba se tornando preguiçosa e obesa, tendo dificuldade para executar atividades simples como andar.
Para além disso, com a pandemia do coronavírus, muitas atividades que realizamos presencialmente precisaram migrar para o meio virtual. Isso nos ajudou em diversos sentidos, pois nos vimos independentes de barreiras geográficas, mas ao mesmo tempo dificultou na prevenção da dependência tecnológica, pois Identificar a dependência ligada ao vício num contexto de dependência pela necessidade se tornou algo mais difícil dado que, de modo geral, o uso das tecnologias precisou aumentar. Contudo, existem testes (inclusive online) que permitem, por meio de respostas sobre comportamento e rotina, o diagnóstico. Segundo especialistas, o importante, nesse cenário, é acompanhar o tempo de uso dessas tecnologias e inserir na nossa rotina atividades que fujam do meio virtual, assim buscando equilibrar os dois mundos e evitar a dependência tecnológica.
Em resumo, as tecnologias trouxeram diversos benefícios para todos nós. Porém, seu uso desmedido pode prejudicar. Identificar a dependência tecnológica não é fácil, pois muitas das atividades que realizamos hoje dependem diretamente de tecnologias como a internet, mas acompanhar possíveis sinais de vício podem ajudar na verificação e tratamento do quadro.
# 5. Conclusões e Perspectivas Futuras
Tendo em vista os assuntos discutidos, é possível compreender que o papel social da internet possui tanto pontos negativos como positivos, além de poder ser observadas e refletidas as questões relacionadas às perspectivas para o futuro.
É inegável os pontos positivos que a internet trouxe para o nosso cotidiano, pois ela é capaz de nos fazer conhecer culturas diferentes devido a facilidade na conexão. Além disso, pessoas com um propósito de luta em comum conseguem se encontrarem virtualmente para alcançar maior engajamento de suas comunidades.
Em contrapartida, a internet também trouxe alguns pontos negativos. Do ponto de vista social, a disseminação de ódio se alastrou pela internet, uma vez que esta permite maior facilidade na comunicação por meio das redes sociais e dessa forma as pessoas possuem mais coragem de dizer o que pensam, levando, então, a discursos de cunho agressivo. Além disso, a constante evolução da internet e seu alcance, proporciona maior facilidade de organizações terroristas e outras condutas criminosas por meio da Deep Web, que permite a navegação sem rastreamento.
Ademais, nota-se um problema quanto a legislação atual e a sua ineficácia para acompanhar o ritmo das tecnologias e da internet. Em casos que envolvem condutas criminais, o trabalho para fiscalizar os crimes e condenar os responsáveis é dificultado pela barreira de anonimato que a internet pode proporcionar. Em alguns casos, como os relacionados a fake news, às condutas envolvem conceitos novos que ainda não estão previstos em leis. Por esse motivo, quando se trata do contexto digital, a responsabilidade de lidar com esses problemas se encontra em grande parte nas mãos dos usuários e depende dos seus valores éticos.
Quanto às perspectivas futuras, algumas tendências e possibilidades podem ser discutidas. No tópico de bolhas sociais, o seu efeito de polarização parece estar em um período de intensificação em escala global, no entanto, é possível que em algum momento elas se "estourem". Além disso, pode-se notar atualmente o início da tentativa de utilização de tecnologias de realidade virtual em redes sociais, mas o impacto que pode ser causado por essa adição ainda é desconhecido.
Retomando a discussão sobre a dependência tecnológica, já são observadas consequências relacionadas ao sedentarismo e à obesidade. As praticidades proporcionadas pelas tecnologias tem tornado a vida mais cômoda, porém as consequências de se tornar refém do meio virtual são percebidas já pelos profissionais de educação física que, segundo pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais, relatam que os jovens e as crianças estão aparecendo para as aulas com redução das capacidades físicas e déficits motores básicos, como correr, deslocar-se com destreza, entre outros, o que provavelmente é consequência da falta de exercícios físicos, intensificada pelo vício em tecnologias. Além disso, a Anatel verificou que o consumo de internet aumentou nos últimos anos, sobretudo dentre a população jovem, deixando o sinal de alerta ligado: se cada vez mais o consumo de internet aumenta dentre os jovens e esse consumo, em excesso, gera problemas ligados à saúde mental e física, grandes são as chances de futuramente lidarmos com uma sociedade com mais quadros de doenças psicológicas e problemas físicos atrelados ao sedentarismo.
# Referências
- [1] A Internet Como Meio De Comunicação: Possibilidades E Limitações: [http://www.portcom.intercom.org.br/pdfs/62100555399949223325534481085941280573.pdf]
- [2] E-commerce : origem, desenvolvimento e perspectivas: [https://lume.ufrgs.br/handle/10183/78391]
- [3] 'Dos Blogs aos Microblogs: Aspectos Históricos, Formatos e Características': [https://seer.utp.br/index.php/i/article/view/166]
- [4] A popularização das Redes sociais e o fenômeno da Orkutização: [http://intercom.org.br/papers/regionais/nordeste2012/resumos/R32-0590-1.pdf]
- [5] 'Análise De Redes Sociais: Avanços Recentes E Controvérsias Atuais': [https://www.scielo.br/j/rae/a/KvrpLDTyFtCJYdTFGtWB9Zs/?lang=]
- [6] Fake news nas redes sociais online: propagação e reações à desinformação em busca de cliques: [https://impactum-journals.uc.pt/mj/article/view/2183-5462_32_11]
- [7] Desigualdade Digital e Desigualdade Social no Brasil: [https://repositorio.ufjf.br/jspui/handle/ufjf/11695]
- [8] Crimes virtuais: as inovações jurídicas decorrentes da evolução tecnológica que atingem a produção de provas no Processo Penal: [https://repositorio.uniceub.br/jspui/handle/235/5977]
- [9] Das jornadas de junho à cruzada moral: o papel das redes socias na polarização política brasileira: [https://www.scielo.br/j/sant/a/q8zsjyJYW3Jf3DBFSzZJPBg/?lang=pt]
- [10] Teens who are constantly online are just as likely to socialize with their friends offline:[https://www.pewresearch.org/fact-tank/2018/11/28/teens-who-are-constantly-online-are-just-as-likely-to-socialize-with-their-friends-offline/]
- [11] A #MeToo Timeline To Show How Far We’ve Come — & How Far We Need To Go: [https://www.refinery29.com/en-us/2018/10/212801/me-too-movement-history-timeline-year-weinstein]
- [12] Site da organização MEAction: [https://www.meaction.net/about/]
https://www.correiobraziliense.com.br/revista-do-correio/2021/02/4905199-isolamento-social-potencializa-dependencia-tecnologica.html
https://www.migalhas.com.br/coluna/impressoes-digitais/320958/o-desenvolvimento-da-internet-das-coisas-exigira-o-estabelecimento-de-limites-morais-e-eticos
https://www.uai.com.br/app/noticia/saude/2017/02/02/noticias-saude,201259/sedentarismo-da-nova-geracao-esta-ligado-a-tecnologia-alertam-especia.shtml
- [16] Fake News, Desinformação e Infodemia. Qual a diferença?:[https://www.blogs.unicamp.br/mindflow/?p=634]
- [17] Família de mulher morta após fake news luta por indenização de rede social: [https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2021/05/03/sete-anos-depois-familia-de-mulher-linchada-apos-fake-news-luta-por-indenizacao-de-rede-social.ghtml]
- [18] O fenômeno das notícias falsas: [http://www.revista.pucminas.br/materia/fenomeno-noticias-falsas/]
- [19] Saiba o que é e como surgiu o Pix, a nova forma de pagamentos instantâneos: [https://blog.bling.com.br/o-que-e-pix/]
- [20] História real: jovem construiu império de de drogas com computador no quarto: [https://www.uol.com.br/tilt/ultimas-noticias/deutschewelle/2021/08/22/historia-real-jovem-construiu-imperio-de-drogas-com-computador-no-quarto.htm]
- [21] O jovem que criou a 'Amazon' das drogas e ganhou duas séries na Netflix: [https://exame.com/pop/o-jovem-que-criou-a-amazon-das-drogas-e-ganhou-duas-series-na-netflix/]
- [22] Significado de Deep Web: [https://www.significados.com.br/deep-web/]
- [23] História de Deep Web: [https://www.gta.ufrj.br/ensino/eel878/redes1-2018-1/trabalhos-vf/deepweb/historia.html]
- [24] A história de Deep Web, o submundo da internet: [https://www.megacurioso.com.br/misterios/107995-a-historia-da-deep-web-o-submundo-da-internet.htm]
- [25] Deep Web - Definição: [https://www.gta.ufrj.br/ensino/eel878/redes1-2018-1/trabalhos-vf/deepweb/definicao.html]
- [26] A influência das redes sociais na comunicação humana: [https://blog.fortestecnologia.com.br/tecnologia-e-inovacao/a-influencia-das-redes-sociais/]
- [27] O guia completo de Redes Sociais: saiba tudo sobre as plataformas de mídias sociais!: [https://rockcontent.com/br/blog/tudo-sobre-redes-sociais/]
- [28] A história das redes sociais: como tudo começou: [https://www.tecmundo.com.br/redes-sociais/33036-a-historia-das-redes-sociais-como-tudo-comecou.htm]