# Monografia - Computadores, Sociedade e Ética Profissional
**Integrantes:**
* Bruno de Sousa Pagno 11366872
* Gabriel Guimarães Vilas Boas Marin 11218521
* Henrique Gomes Zanin 10441321
* João Vitor de Mello Gomes 11218622
* Pedro Fernando Christofoletti dos Santos 11218560
## Software Livre, Propriedade Intelectual e questões relacionadas
### Introdução
O presente trabalho tem como principal tema o software livre. Inicialmente abordaremos questões como definições do termo, equívocos comuns sobre o tema por parte das pessoas e explicações sobre o funcionamento do licenciamento de softwares e sua relação com o tema. Em seguida apresentaremos as principais vantagens e desvantagens de se adotar o software livre e também questões legais relacionadas com direitos autorais importantes para o tema. Por fim, apresentaremos exemplos de software livres comumente utilizados e uma perspectiva futura para o tema.
### O que é o software livre
O termo software livre refere-se a todo programa de computador onde os usuários sejam capazes de distribuir, estudar, copiar, modificar e melhorar o software através do uso da licença GPL, sem que haja a necessidade da autorização direta do seu proprietário, através da modificação do código fonte disponibilizado [1]. Atualmente, a organização responsável por disseminar os conceitos de software livre é a Free Software Foundation.

Como o termo software livre é traduzido do inglês *free software*, muitas vezes o termo livre é confundido com gratuito, embora sejam conceitos distintos. O conceito de software livre está atrelado com a questão da liberdade e não de preços. Desta forma, existem softwares livres que o usuário precisa pagar para ter acesso ao código fonte, ou mesmo pagar por uma modificação realizada por outra pessoa em um software livre, pois as licenças também permitem a venda de cópias.
Existem também algumas diferenças entre o termo software livre e código aberto (*open source*), pois embora haja intersecções entre os temas, enquanto o software livre trata-se de uma filosofia sobre os programas de computadores, os programas de código aberto se tratam de uma metodologia e não possuem ligação com princípios.
### Licenças open source
Ao licenciar um código fonte, a firma ou o desenvolvedor costumeiramente possui duas opções:
1. a utilização de uma licença proprietária baseada nos direitos de *copyright* em que a cópia deve ser autorizada e o não cumprimento das exigências pode resultar em ações legais movidas pelo detentor da propriedade intelectual;
2. explicitar que o software está coberto por uma licença open source que, invariavelmente, está classificada entre uma das seguintes opções: *strong copyleft, weak copyleft* e *permissive*.
<img style="margin-left: calc(50% - 68px);" src="https://i.imgur.com/DJaGnJ5.png" alt="GPLv3 Logo"/>
A *Strong copyleft* é representada pela GPL (*GNU General Public License*) e seu objetivo é restringir conteúdos proprietários nos códigos que estão sob essa licença, protegendo assim a liberdade e os direitos de executar o programa, estudar seu funcionamento, redistribuir cópias, aperfeiçoá-lo e liberar esses aperfeiçoamentos. A GPL exige que o código copiado e utilizado em outro programa seja redistribuído sobre a mesma licença e impede que seja feito um sublicenciamento em partes do código, ou seja, apenas é possível licenciar o código todo sobre ela e não apenas uma parte. Esta licença é considerada pela *Free Software Fundation* como a única capaz de nomear um software como livre, as demais são consideradas open-source.
A *Weak Copyleft* é representada, de forma não exaustiva, pelas licenças LGPL (*Library General Public Licence*), MPL (*Mozilla Public License*) e EPL (*Eclipse Public License*) e permite explicitamente a combinação de códigos abertos e fechados, em níveis diferentes e com suas respectivas particularidades, assumindo que não há um similar licenciado sob a GPL.
Por sua vez, a *Permissive* (ou *non-copyleft*) está presente na grande maioria dos códigos abertos. Esta modalidade de licenciamento surge como um movimento contra a GPL à medida que remove muitos dos seus elementos restritivos, permitindo, então, o licenciamento de um código originalmente alocado sob uma licença permissiva, por outra diferente, podendo ser esta mais restritiva que a original. A licença MIT, por exemplo, permite que um código binário seja distribuído sem a obrigatoriedade de fornecer o código fonte para o destinatário. O nível de complexidade varia desde apenas uma linha escrita, como no caso da MIT, até formas mais densas e detalhadas como a Apache License 2.0. Essas licenças dialogam tranquilamente com elementos proprietários, o que permite partes fechadas dentro da plataforma.
### Vantagens
#### Qualidade e transparência
Os softwares livres e de código aberto tendem a possuir um código de alta qualidade, pois além dos próprios desenvolvedores, os usuários também são capazes de apontar possíveis otimizações de eficiência ou segurança, fazendo com que esteja em um constante processo de melhora. Além disso, ao expor o código fonte, a transparência e confiabilidade do sistema por parte das pessoas também aumenta, uma vez que é possível verificar todas as funcionalidades existentes.
#### Inovação aberta
No processo de inovação aberta, a concepção de uma nova ideia não parte unicamente dos centros de P&D das firmas, elas se fundem o conhecimento externo à empresa visando acelerar a etapa de desenvolvimento de uma solução, seja um produto, plataforma ou arquitetura.
> “We define open innovation as a distributed innovation process based on purposively managed knowledge flows across organizational boundaries, using pecuniary and non-pecuniary mechanisms in line with the organization’s business model”(Chesbrough and Bogers, 2014) [4].
Diferente da inovação fechada, na qual alguns projetos são descontinuados e outros seguem a diante para incrementos e revisões, a inovação aberta tem capacidade de gerar spin-offs tecnológicos e atingir ou originar novos mercados com as ideias que não foram aproveitadas no momento presente.
#### Segurança
A transparência que o software livre traz, cria uma perspectiva muito diferente sobre o programa exposto, como discutido nos tópicos anteriores. Sendo assim, um dos principais fatores afetados é a segurança, devido a exposição do código, qualquer falha de segurança acaba sendo detectada rapidamente, evitando prejuízos e desastres incalculáveis.
Existem diversas formas de incentivar a busca por correções nas falhas de segurança, uma delas seria disponibilizar uma premiação para quem encontrar alguma falha, sendo muito comum em eventos e em certas culturas das empresas. Porém, se o processo de desenvolvimento do software livre não for levado a sério, é possível ocorrer desastres ainda maiores. Como por exemplo, o vazamento de informações sensíveis, senhas e tokens que não poderiam ser expostas abertamente.
### Software Livre e Direitos Autorais
Os Direitos Autorais, ou copyrights, são uma lista de direitos e permissões que incidem sobre expressões literais e que proíbem que pessoas não autorizadas plagiem, modifiquem ou divulguem essas obras intelectuais sem que os donos dessas obras autorizem tais ações.
Os direitos autorais acompanham o software desde seu desenvolvimento, a menos que os mesmos sejam retirados por lei ou os autores abram mão em situações específicas. Dessa forma, quando um código é reaproveitado, não pode haver a remoção das referências aos autores originais. Dessa forma, se alguém contribuir para o desenvolvimento de um software, o nome dessa pessoa deve ser acrescentado a autoria da obra, pois possuem mérito intelectual. Entretanto, existem exceções para essa regra, que são apresentadas no ato do registro dos direitos.
Os direitos sobre um Software apresentam os usos que podem ser dados a um determinado software. Nesses usos estão inclusos os deveres e direitos de quem for usá-lo e, geralmente, dos autores envolvidos, sendo aplicáveis até o nível do código fonte e na forma binária (executável). Para considerar um software como útil, o mesmo deve ser licenciado e deve deixar claras suas capacidades e restrições, sendo proibido utilizá-lo de forma contrária ao que foi estabelecido.
### Legislação e questões relacionadas ao direito
A primeira lei a ser citada é a Lei Nº 9.610 (19/02/1998) que apresenta o que são consideradas “obras intelectuais” que podem ser abrangidas através da mesma, sendo os softwares inseridos como obra no inciso 12 (XII) do artigo 7º. O §1º ainda garante a legislação específica a qual um programa de computador pertence.
Outras duas leis são a de Nº 9.609, de mesma data, conhecida como “Lei de Software” e a Lei de Propriedade Industrial (LPI), Nº 9.279 de 14/05/1996. As duas oferecem proteção dos direitos, mas de forma diferente. Enquanto a primeira se preocupa em proteger apenas o código e suas expressões em si, a segunda é mais abrangente e protege também os procedimentos e métodos empregados no processo de desenvolvimento.
### Problemas e soluções do acesso livre à informação
O principal problema do acesso livre no mundo do software, ou seja, programas com código aberto e principal razão de não aderência por parte de grandes empresas é a exposição do funcionamento central dos modelos de negócio.
Embora existam questões de direitos autorais, a exposição das funcionalidades de um sistema permite que empresas concorrentes sejam capazes de desenvolver funcionalidades similares e também facilita novos entrantes no mercado, se tornando algo extremamente desvantajoso.
Podemos citar como um estudo de caso interessante o projeto Android Open Source Project (conhecido pela sigla AOSP) liderado pela Google, pois o projeto abrange as funcionalidades base do sistema Android esperadas para um smartphone (calculadora, agenda, bloco de notas, player de música, câmera, etc.) enquanto existe uma API privada e licenciada sob uma licença fechada pela Google que fornece as funcionalidades centrais para a Google Play services, de forma que a inovação é detida somente pela empresa.
A estratégia desse processo permitiu que as inovações realizadas pelo Google em seus serviços fossem transferidas automaticamente a 98,7% dos dispositivos OEM licenciados e não eram mais necessárias atualizações unitárias nas API's (e.g Atualizar apenas a API do Google Maps).
A API GPS desencorajou os fabricantes de construírem sistemas operacionais próprios sob o kernel do Android AOSP, que exigiria um intenso desenvolvimento de recursos para tornar o sistema robusto como a versão OEM(Original Equipment Manufacturer).
### Uso de software livre nas empresas brasileiras
Uma pesquisa feita pelo Instituto Sem Fronteiras (ISF)[6] revelou após ouvir mil empresas que o software livre está presente em 73% das companhias entrevistadas que possuem mais de mil funcionários, contrariando a percepção de que empresas de médio porte seriam os maiores usuários.
De acordo com o ISF, empresas de grande porte são menos permeáveis à pirataria em razão de sua maior capacidade de adquirir software proprietário ou de definir o uso de software livre, com implementação e gerenciamento mais eficientes. Em contrapartida, quanto menor a empresa, tais condições se deterioram pois as licenças de software muitas vezes são caras, ainda mais se a empresa precisar de alguma customização para atender as peculiaridades e funcionamento dos processos internos da mesma, criando mercado para a pirataria de software pois é vista como a única alternativa.
### Software livre como alternativa à pirataria
A tecnologia e a internet são elementos fundamentais na administração das empresas independente do tamanho, seu uso varia desde situações comuns do dia a dia, como uso de planilhas eletrônicas, documentos, e-mails e redes sociais, mas também para utilização de softwares necessários ao funcionamento da empresa.
Por conta desse cenário, às vezes, os gestores optam por versões piratas, que são facilmente encontradas à venda nos grandes centros urbanos ou por meio de download ilegal na internet a fim de reduzir os custos com licenças.
O uso de software pirata pode prejudicar muito uma empresa pois não terão direito a suporte e/ou atualizações, é comum se deparar com erros e bugs que afetam na qualidade final dos produtos e serviços, e por fim, a multa para a empresa pega ou denunciada por se beneficiar da pirataria é altíssima, variando entre 10 vezes e 3 mil vezes o valor do programa original.
Algumas empresas, após atingir um crescimento mínimo, buscam adquirir as licenças oficiais para evitar problemas com a fiscalização nos seus projetos. Uma abordagem interessante, seria por parte do governo e da empresa responsável pelo software, disponibilizar descontos para pequenas empresas na aquisição de softwares oficiais. Gerando assim, uma possibilidade de maior conversão de clientes, impulsionando a rentabilidade de todo o mercado de software.
De acordo com a ABES (Associação Brasileira das empresas de Software)[7], 46% de todos os softwares comercializados no Brasil são piratas. A associação realiza um monitoramento da internet e faz parte da iniciativa "Uma Empresa Ética", que visa promover a concorrência saudável e ética na economia.
Uma alternativa à pirataria e mais barata que os softwares privados ou até mesmo gratuitos é o uso de software livre, que inclusive é incentivado pelo governo federal, que também os utiliza. Além das vantagens financeiras, eles também possibilitam a adaptação à realidade da empresa, tornando-os praticamente sob medida. Ademais, como os softwares livres são mantidos pela comunidade, são constantemente revisados e correções de segurança e performance são resolvidas rapidamente.
### Exemplos de Software livre comumente usados
Linux: um dos softwares livres mais utilizados no mundo. Foi criado por Linus Torvalds, um finlandês que também foi o criador do Git (sistema de controle de versão), inspirado no Minix (sistema operacional Unix-like) e está sob a licença GPL.
Android: baseado no Linux, é o sistema operacional móvel do Google. De acordo com a pesquisa do Nielsen Ibope de 2014 o Android está presente em 91,6% dos smartphones no Brasil, e também é a plataforma mais usada em aparelhos móveis inteligentes em todo o mundo.
Firefox: navegador amplamente usado pelos usuários de internet, detém cerca de 14% do mercado de navegadores segundo dados da Net Applications de 2014 e foi responsável pela popularização de navegação usando abas.
GIMP: programa com ferramentas para criar e editar imagens similar ao concorrente Adobe Photoshop.
Audacity: software livre de edição digital de áudio. O código fonte do Audacity está sob a licença GNU General Public License.
VLC: software media player portátil gratuito e de código aberto, multiplataforma, e servidor de mídia de streaming desenvolvido pelo projeto VideoLAN.
Apache: servidor web livre mais bem-sucedido do mundo. Oferece páginas e os recursos necessários para navegar na internet, segundo pesquisa de 2011 da Netcraft, o Apache atendia em torno de 54,68% dos sites na web.
### Conclusões e perspectivas futuras
O movimento do software livre é conflitante com a estratégia open source. O software livre possui um ideal filosófico e está fundado sobre a manutenção das liberdades individuais de edição, estudo e distribuição gratuita do código. A estratégia open source, por sua vez, representa um interesse comercial de distribuição e melhorias de softwares, com as empresas interessadas em externalizar alguns ganhos, e por outro lado, usufruir de melhorias derivadas das comunidades de usuários.
Como o software livre, representado pela licença GPLv3, não autoriza código proprietário mesclado com código aberto, há grande recusa em utilizar-se deste licenciamento em soluções comerciais. Quando analisamos as licenças aplicadas aos softwares open source e livres, observamos que a grande maioria está sobre alguma licença permissiva, indicando que essa é a abordagem mais promissora para códigos futuros.
O movimento do software livre sempre esteve relacionado com a privaciade do usuário, ao ponto de garantir que todos tenham acesso integral ao que está sendo executado na CPU. Possibilitar a leitura do código evita que trechos maliciosos, ou que firam a privacidade do usuário, estejam presentes nos binários.
Não observamos uma trajetória clara do que acontecerá com o software livre, mas, haja vista a crescente preocupação da sociedade civil com questões voltadas a privacidade e controle de dados por grandes empresas, pode haver, ainda, espaço para o mesmo no universo dos desenvolvedores de softwares.
### Bibliografia
1. O que é o software livre?: <https://www.gnu.org/philosophy/free-sw.pt-br.html>
2. Por que o Código Aberto não compartilha dos objetivos do Software Livre: <https://www.gnu.org/philosophy/open-source-misses-the-point.html>
3. Licenças e direitos autorais: Por que são importantes para os projetos de software?: <http://www2.decom.ufop.br/terralab/licencas-e-direitos-autorais-por-que-sao-importantes-para-os-projetos-de-software/>
4. Explicating Open Innovation: <https://oxford.universitypressscholarship.com/view/10.1093/acprof:oso/9780199682461.001.0001/acprof-9780199682461-chapter-1>
5. Android and the demise of operating system-based power: Firm strategy and platform control in the post-PC world: <https://www.researchgate.net/publication/263546833_Android_and_the_demise_of_operating_system-based_power_Firm_strategy_and_platform_control_in_the_post-PC_world>
6. Pesquisa: software livre é usado em 73% das grandes empresas brasileiras: <https://computerworld.com.br/acervo/pesquisa-software-livre-e-usado-em-73-das-grandes-empresas-brasileiras/>
7. Prejuízo com software pirata chega a US$ 1,7 bilhão no Brasil: <https://abessoftware.com.br/prejuizo-com-software-pirata-chega-a-us-17-bilhao-no-brasil/>
8. Use software livre na sua empresa como alternativa à pirataria: <https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/use-software-livre-na-sua-empresa-como-alternativa-a-pirataria,86a3be300704e410VgnVCM1000003b74010aRCRD>
9. Quais são os softwares livres mais utilizados?: <https://www.oficinadanet.com.br/post/11012-quais-sao-os-softwares-livres-mais-utilizados>
10. Você utiliza mais software livre do que imagina: conheça 11 programas e serviços: <https://memoria.ebc.com.br/tecnologia/2015/07/voce-utiliza-mais-software-livre-do-que-imagina-conheca-11-programas-e-servicos>
12. Empresas brasileiras preferem softwares livres: <https://intra.serpro.gov.br/noticias/empresas-brasileiras-preferem-softwares-livres#:~:text=Pesquisa%20realizada%20pela%20ISF%20(Instituto,31%25%20demonstram%20essa%20mesma%20prefer%C3%AAncia.>
## Relatórios individuais
### Relatório individual - João Vitor de Mello Gomes - 11218622
O tema escolhido pelo grupo contempla uma área da computação que, com o crescente número de discussões sobre direitos autorais e propriedade intelectual não só nessa área, têm estado em foco em muitos debates. Tais debates têm como pauta não apenas os direitos de quem criou o software, mas também daqueles que podem usá-lo ou modificá-lo para seus fins particulares.
Entende-se por Software Livre todo programa de computador que tenha sido licenciado através do uso da licença GPL (GNU General Public License). Essa licença permite que os usuários tenham a capacidade de executar, copiar, alterar ou distribuir o software sem ter que avisar ou pedir permissão ao seu autor.
Vale ressaltar que um software livre não é o mesmo que um software gratuito, ou seja, a liberdade do software não está relacionada ao seu preço, logo existem muitos softwares livres que são pagos. Além disso, a GPL não permite que o código ou parte dele copiado em outro programa seja redistribuído sobre uma licença diferente da primeira, isso impede que um sublicenciamento parcial seja feito.
Outro equívoco que muitas vezes ocorre é a sobre a diferença entre Free Software e Open Source (código aberto). Enquanto na primeira é garantido que todo o código e os códigos que usam parte do original usem a mesma licença, as licenças de código aberto são mais permissivas quanto ao uso conjunto de código fechados num mesmo software. Dessa forma, a nova licença sob a qual está o código pode ser mais permissiva ou mais restritiva quanto aos usos por parte das pessoas.
Como os software livre além de possuírem o desenvolvedor original trabalhando em formas de melhorar ou adicionar novas funcionalidades têm toda uma comunidade trabalhando em cima, estes tendem a ter uma melhor (e mais constante) evolução em questão de qualidade de código, legibilidade e até mesmo segurança. Isso porque, com o código disponível para todos, qualquer falha de segurança ou problema pode ser rapidamente encontrado e resolvido. Além disso, conhecer o código fonte permite uma maior transparência para os que desejam usá-lo.
Porém, essa liberdade e transparência pode ser vista como uma característica ruim por alguns, pois isso pode expor o funcionamento e detalhes de implementação para quem quiser acessar. Isso causa uma sensação de que, a qualquer momento, os concorrentes da empresa que têm seu software livre possam desenvolver funcionalidades similares ou que outros possam aproveitar para ingressarem no mesmo ramo de desenvolvimento.
Portanto, o número de softwares livres e open source vem crescendo muito nos últimos anos, o que pode apresentar uma tendência inicial para o panorama do desenvolvimento de software no futuro. Entretanto, existem muitos fatores além dos citados acima que contribuem negativamente para a adesão desse licenciamento. Dessa forma, esse tema tem seus pontos positivos e negativos e cabe a cada empresa escolher a melhor maneira de abordar o desenvolvimento.
### Relatório individual - Pedro Fernando Christofoletti dos Santos - 11218560
Chamamos de software Livre o programa de computador que os usuários possam distribuir, estudar, mudar, copiar, melhorar e executar o software através do uso da licença GPL, sem necessidade de autorização do proprietário, por meio da modificação do código fonte disponibilizado. Ademais, a Free Software Foundation é a organização responsável por disseminar os conceitos de software livre atualmente.
Software livre é software gratuito? Essa é uma dúvida comum, e a resposta é não, o conceito de software livre está atrelado com a questão da liberdade e não de preços. Até porque existem softwares livres que é necessário pagamento para obter acesso ao código fonte ou pagar por modificações realizadas por outros desenvolvedores.
Embora exista uma intersecção entre os temas software livre e código aberto, são conceitos diferentes, o primeiro trata-se de uma filosofia sobre os programas de computadores, e o segundo trata-se de uma metodologia e não possuem ligação com princípios.
Quando um software não possui licença proprietária baseada nos direitos de copyright, restam as seguintes opções de licença open source:
* **Strong copyleft**: representada pela GPL (GNU General Public License) e seu objetivo é restringir conteúdos proprietários nos códigos que estão sob essa licença, protegendo assim a liberdade e os direitos de executar o programa, estudar seu funcionamento, redistribuir cópias, aperfeiçoá-lo e liberar esses aperfeiçoamentos.
* **Weak copyleft**: é representada pelas licenças LGPL (Library General Public Licence), MPL (Mozilla Public License) e EPL (Eclipse Public License) e permite explicitamente a combinação de códigos abertos e fechados, em níveis diferentes e com suas respectivas particularidades, assumindo que não há um similar licenciado sob a GPL.
* **Permissive**: presente na grande maioria dos códigos abertos. surge como um movimento contra a GPL à medida que remove muitos dos seus elementos restritivos, permitindo, então, o licenciamento de um código originalmente alocado sob uma licença permissiva, por outra diferente, podendo ser esta mais restritiva que a original.
Podemos citar como uma das principais vantagens de usar um software a **Qualidade e transparência**: Já que o software pode ser otimizado e modificado não só pelos seus desenvolvedores iniciais mas também pelos usuários e a comunidade como um todo, o código tende a ser de alta qualidade pois é constantemente revisado e melhorado com otimizações e melhorias em funcionalidades, segurança e usabilidade. Além disso, ao expor o código fonte, a transparência e confiabilidade do sistema aumentam.
Entretanto, existem desvantagens, e a principal delas é a exposição do funcionamento central dos modelos de negócio da empresa que utiliza o software, já que o código pode ser acessado livremente. Por conseguinte, muitas empresas não aderem a essa solução pois permite que empresas concorrentes sejam capazes desenvolver funcionalidades similares e também facilita novos entrantes no mercado, tornando-se algo extremamente desvantajoso.
Ainda que existam desvantagens, o software livre já está se disseminando no mundo e recentemente tem sido bem difundido no Brasil, de acordo com uma pesquisa feita pelo Instituto Sem Fronteiras (ISF) o software livre está presente em 73% das mil companhias entrevistadas que possuíam mais de mil funcionários, o que contraria a percepção de que empresas de médio porte seriam os maiores usuários desse tipo de software.
Podemos facilmente observar a extrema importância da tecnologia da informação e a internet na administração e funcionamento das empresas, o que infelizmente acaba criando mercado para a pirataria de software em empresas menores, pois os custos das licenças de softwares proprietários e/ou a instalação e suporte de softwares livres são altos.
Uma empresa pode ter um enorme prejuízo ao aderir a piratatia pois perdem a possibilidade de obter suporte e/ou atualizações, erros e bugs são comuns em softwares violados, o que afeta na qualidade final dos produtos e serviços, e se a empresa é pega ou denunciada por se beneficiar da pirataria pode receber uma multa altíssima.
O software livre é uma boa alternativa à pirataria pois além das vantagens financeiras (mais baratos que os softwares privados, chegando até mesmo a serem gratuitos), eles também possibilitam a adaptação à realidade da empresa, tornando-os praticamente sob medida.
### Relatório individual - Bruno de Sousa Pagno - 11366872
Eu particularmente já tinha algum conhecimento básico sobre o tema, pois é algo do meu interesse, porém nunca havia estudado as questões relacionadas à leis, licenças de uso e propriedade intelectual existentes e foi uma das partes mais enriquecedoras do trabalho para mim. Além disso, outra coisa que eu não tinha muito conhecimento eram as diferenças entre o software livre e o open source, pois enquanto o primeiro está mais atrelado com uma ideologia/filosofia, o segundo é puramente uma metodologia com interesses financeiros relacionados.
Por fim, sobre o uso do open source/ software livre por parte das empresas, continuo mantendo a minha opinião sobre o tema: embora seja algo extremamente benéfico para a sociedade e comunidade de desenvolvedores como um todo, principalmente por promover o conhecimento e ajudar na inovação, pelo lado das empresas se torna algo bastante difícil de encaixar em seus modelos de negócio, uma vez que a funcionalidade central dos sistemas é exposta. Acredito que um modelo interessante de se adotar seja a mistura de projetos Open Source com projetos proprietários.
### Relatório individual - Gabriel Guimarães Vilas Boas Marin - 11218521
O termo “software livre” é compreendido por aquele software que respeita a comunidade e a liberdade dos usuários que o utilizam. De modo geral, isso indica que a comunidade retém a possibilidade de copiar, executar, estudar,distribuir, melhorar e mudar o software alinhado com essa filosofia.
Dessa forma, “software livre” é sobre a liberdade e não o preço. Para ficar claro o conceito, “livre” traz o sentido de liberdade ao invés de grátis. Independentemente da maneira que adquiriu o software, por ser um software livre, você tem total direito de mudar, copiar e vender as cópias suas, são direitos garantidos pela liberdade.
Essa filosofia é motivada em espalhar essas liberdades que todo mundo merece e em certos momentos são necessárias. Com essa independência, os usuários e comunidades controlam o programa e o seu propósito para sua realidade. Quando a comunidade não controla o programa, ela é limitada pelo propósito inicial do programa. Consequentemente, o desenvolvedor acaba por controlar esses usuários que não conseguem manipular o programa, limitando as funcionalidades e propósito para os que o desenvolvedor acredita ser. Esse programa não livre é “privativo”, se tornando um instrumento injusto.
O "Open Source" é algo diferente, a metodologia possui uma filosofia baseada em outros valores. Na prática também é diferente, mas quasse todos os programas open source são programas de software livre.
Portanto, podemos concluir que um “software livre” é constituído por quatro valores de liberdade principais:
● A liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo às suas necessidades.
● A liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar outros.
● A liberdade de distribuir cópias de suas versões modificadas a outros.
● A liberdade de executar o programa como você desejar, para qualquer propósito.
### Relatório individual - Henrique Gomes Zanin - 10441321
Nome: Henrique Gomes Zanin
nUSP: 10441321
É inegável que o termo software livre possa levar ao pensamento de que o software é gratuito. Em verdade, muitas vezes o software livre é gratuito, porém, não há nenhuma garantia derivada da licença que permita inferir tal característica.
Um software classificado como software livre deve obrigatoriamente estar licenciado sob a GPL(GNU General Public License), qualquer outra licença aberta classifica o software como open source. Sendo assim, devemos iniciar a discussão pela análise das licenças open source.
A GPL faz parte de um subconjunto de licenças open source chamado Strong Copyleft, esse conjunto é caracterizado pela restrição total à conteúdos proprietários, ou seja, não pode haver nenhum componente de software com direitos de propriedade intelectual(copyright). Além dessa restrição há outra que determina que se um trecho de código licenciado sob a GPL for usado em outro código o mesmo deve estar sob a GPL também.
Tais restrições são severas demais para muitos desenvolvedores, assim, a Free Software Foundation, mantenedora da GPL, criou um novo subconjunto de licenças open source chamado Weak Copyleft.
A Weak Copyleft permite que um trecho de código seja licenciado sob uma licença proprietária desde que não haja um código GPL similar. Em tese essa pequena modificação garante que novos códigos sejam escritos com a filosofia do software livre, representada pelas seguintes liberdades e direitos: executar o programa, estudar seu funcionamento, redistribuir cópias, aperfeiçoá-lo e liberar esses aperfeiçoamentos.
Por fim, o último subgrupo de licenças open source chama-se Permissive ou Non-Copyleft. Esse subgrupo surge como um movimento contrário à GPL, permitindo partes abertas e fechadas em um mesmo software. A grande maioria dos softwares open source desenvolvidos pela empresas estão sob essa subclassificação.
Uma grande pergunta pode ser feita apenas com esses três subconjuntos de licenças open source. Existe uma iniciativa pela inovação radical nas categorias Strong e Weak Copyleft?
O processo inovativo origina-se quase em totalidade em grandes centros de pesquisa e desenvolvimentos de corporações privadas ou de centros de pesquisa universitários. O primeiro exige um percentual da receita bruta e é identificado como gasto nas demonstrações de resultado, assim, qualquer inovação é um diferencial tecnológico e naturalmente será licenciado sob uma licença proprietária. O que resta para a inovação disruptiva aberta está nas mãos de universidades públicas e entusiastas dispostos a abrir mão de ganhos monetários.