# Princípio básico de nosso sistema de justiça: presunção de inocência

Se quisermos realmente nos manter em um mundo civilizado, onde a lei prevalece sobre tudo, é urgente revermos nossos conceitos. De um lado, a extrema-direita ataca a lei descaradamente: acusa ministros, critica, desacata, como se a lei não existisse, como se fosse irrelevante. Por outro lado, a sociedade, através das redes sociais, acata acusações contra uns e outros, condenando antes do julgamento, como se a condenação pública substituísse o devido processo legal.
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## Mal comparando
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Um exemplo claro é o do coach, candidato a prefeito. Ele foi condenado, mas apresentou um recurso, o que suspendeu sua prisão. Ele, tecnicamente, não é culpado até hoje. No entanto, muitos já o veem como se fosse. Curiosamente, a esquerda progressista defendeu, com fervor, o Presidente que foi condenado em várias instâncias e chegou a ser preso. Não se trata de dizer quem está certo ou errado. O que fica evidente é o uso de duas medidas, dois pesos, um casuísmo inaceitável que contamina o debate público.
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## Indo ao ponto
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Agora, temos o caso do ex-ministro dos Direitos Humanos, defenestrado sem julgamento. Parece que esquecemos o triste episódio do reitor acusado de corrupção, que, diante da humilhação pública, se suicidou, para depois ser inocentado. Se não acreditarmos na presunção de inocência, nosso sistema de justiça afundará, levando nossa frágil democracia ralo abaixo.
O caso do ministro tem agravantes que pesam contra ele. Primeiro, ele não teve a grandeza de liberar seu chefe da responsabilidade de demiti-lo — a única saída honrosa seria sua própria renúncia, o que permitiria que ele se defendesse sem carregar o peso do cargo. Em segundo lugar, usou os recursos do ministério para se defender, manchando ainda mais sua imagem. No entanto, a presunção de inocência deve prevalecer, independentemente das acusações ou da opinião pública.
Precisamos evitar outra barbaridade atroz: a condenação pública, sem julgamento, de mais um homem negro, mesmo que branco fosse, como a história também nos mostra registra. Se cometermos esse erro novamente, seremos cúmplices de um sistema de justiça que, ao invés de proteger, destrói vidas.
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## :bulb: Referências
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](https://jornalismoufsc.shorthandstories.com/cinco-anos-sem-cancellier/index.html)
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