# Sistema de Entretenimento para os pacientes do Hospital São Francisco de Assis – BH ## 1. Introdução ### 1.1 Contextualização No ano de 2019 a Organização das Nações Unidas DUARTE (2019) informou que pela primeira vez o número de idosos, ou seja, pessoas com 65 anos ou mais, ultrapassou o número de crianças de 0 a 5 anos, sendo 705 milhões contra 680 milhões respectivamente. No Brasil de mesmo modo, a diminuição da taxa de fertilidade e a melhora na expectativa de vida, trouxe novos desafios em relação ao sistema de saúde. Segundo o portal da transparência no ano de 2020 foram gastos 91,96 bilhões de reais no setor de saúde pública Governo Federal (2020), valor que tende a aumentar devido aos novos cuidados que devem ser providos aos pacientes. Porém, o processo internação de um paciente tanto para as crianças quanto para os idosos pode ser doloroso e estressante devido a situação de saúde, o distanciamento social e até mesmo a estada no ambiente hospitalar. Hodiernamente, a tecnologia da informação, a transformação digital, o amplo acesso aos dispositivos móveis, a internet das coisas (IoT), o Big Data e a computação em nuvem, proporcionaram grandes possibilidades de aplicações. Com isso, a grande capacidade dessas tecnologias não deve se limitar apenas ao meio institucional e corporativo, mas, também prover soluções para a área da saúde, com enfoque nos hospitais e na interação e entretenimento de pacientes. ### 1.2 Especificação do cliente A Fundação Hospitalar São Francisco de Assis (FHSFA), oferece duas unidades de funcionamento, somando 344 leitos, sendo 52 leitos de CTI, e mais de 1.300 colaboradores, que prestam serviços hospitalares e cirúrgicos de alta, média e baixa complexidade em 33 especialidades, atendendo exclusivamente a pacientes do SUS, Hospital São Fransisco (2020). ### 1.3 Problema Segundo o artigo "Using entertainment to improve lifestyles and health" Yousuf et al. (2019), o uso de maneiras de entreter os pacientes, com conteúdos midiáticos como programas de televisão melhoram qualitativamente a saúde e a qualidade de vida deles, durante e depois de estarem sob os cuidados médicos, pois os internados acabam sendo influenciados positivamente pelo conteúdo. No entanto, o Hospital São Francisco de Assis – BH não dispõe de algum sistema de entretenimento voltado para os pacientes, fato que motiva a produção deste trabalho, em consequência de amplos os benefícios para toda a população: que utiliza ou estará sujeita a utilizar os serviços hospitalares. ### 1.4 Objetivos #### 1.4.1 Objetivo geral O presente trabalho tem como objetivo atender aos pacientes acamados no Hospital São Francisco de Assis – BH, através de um software interativo que permita exibições de mídias com conteúdo informativo e de entretenimento, para que seja desviado o foco da doença. #### 1.4.2 Objetivos específicos - Entreter os pacientes do Hospital São Francisco de Assis. - Permitir que os pacientes avaliem os conteúdos transmitidos. - Permitir que os pacientes sugiram formas de entretenimento. - Informar pacientes com notícias e dados meteorológicos. - Identificar os impactos no nível de satisfação dos pacientes acamados antes e após implantação do sistema interativo. ## 2. Referencial teórico ### 2.1. Processo de desenvolvimento de software O objetivo do processo de desenvolvimento de software é elaborar um sistema funcional, eficaz, com boa usabilidade e assertivo. Segundo Bezerra (1972), as fases desse processo são: 1. Levantamento de requisitos: corresponde à etapa de compreensão do problema aplicada ao desenvolvimento de software. O principal objetivo do levantamento de requisitos é que usuários e desenvolvedores tenham a mesma visão do problema a ser resolvido. 2. Análise: no contexto dos sistemas de software, esta é a etapa na qual os analistas realizam um estudo detalhado dos requisitos levantados na atividade anterior. A partir desse estudo, são construídos modelos para representar o sistema a ser construído. 3. Projeto: na fase de projeto, determina-se "como" o sistema funcionará para atender aos requisitos, de acordo com os recursos tecnológicos existentes (a fase de projeto considera os aspectos físicos e dependentes de implementação). 4. Implementação: na fase de implementação, o sistema é codificado, ou seja, ocorre a tradução da descrição computacional obtida na fase de projeto em código executável mediante o uso de uma ou mais linguagens de programação. 5. Testes: Diversas atividades de teste são realizadas para verificação do sistema construído, levando-se em conta a especificação feita nas fases de análise e de projeto. 6. Implantação: na fase de implantação, o sistema é empacotado, distribuído e instalado no ambiente do usuário. Os manuais do sistema são escritos, os arquivos são carregados, os dados são importados para o sistema e os usuários treinados para utilizar o sistema corretamente. ![](https://i.imgur.com/jeeOc91.png) **Figura 1: Metodologia Scum** **Fonte: PRESSMAN** Sob a ótica de como é desenvolvido um software, a metodologia utilizada neste trabalho é o SCRUM (Figura 1). Segundo Pressman (2011), o Scrum enfatiza o uso de um conjunto de padrões de processos de software que provaram ser eficazes para projetos com prazos de entrega apertados, requisitos mutáveis e críticos de negócio. Cada um desses padrões de processos define um conjunto de ações de desenvolvimento: 1. Reuniões Scrum: são reuniões curtas (tipicamente 15 minutos), realizadas diariamente pela equipe Scrum. 2. Registro pendente de trabalhos (Backlog): uma lista com prioridades dos requisitos ou funcionalidades do projeto que fornecem valor comercial ao cliente. 3. Urgências (corridas de curta distância) sprints — consistem de unidades de trabalho solicitadas para atingir um requisito estabelecido no registro de trabalho (backlog) e que precisa ser ajustado dentro de um prazo já fechado (janela de tempo). ### 2.2. Prática Extensionista O "Estatuto da Universidade Brasileira" (Decreto Federal nº 19851 de 11 de abril de 1931), delineou como atividade de extensão não só a realização de cursos e conferências objetivando a difusão de conhecimentos "úteis à vida individual e coletiva", mas também a "apresentação de soluções para os compromissos sociais e a propagação de ideias e princípios de interesse nacional. Dessa forma, é possível perceber que as práticas extensionistas são essenciais para a universidade, pois também é uma forma de praticar os conhecimentos apreendidos na sala de aula. Além disso, um ponto vital das práticas extensionistas é a contribuição com a sociedade, pois é uma forma de resolver problemas sociais e transmitir conhecimentos, conforme explica (RODRIGUES et al., 2020, v. 1, p. 141): > Para que se possa agir nas ações da prática de extensão, é preciso respeitar a ideia de cada um e aprimorar os conhecimentos, agir de forma ética para que possa ter exatidão naquilo que for proposto tanto por parte da universidade quanto por parte das pessoas que recebem as informações.(RODRIGUES et al., 2020, v. 1, p. 141) ### 2.3 Hotelaria hospitalar Segundo OS CONCEITOS (2017) E PRINCÍPIOS DA HOTELARIA HOSPITALAR, a hotelaria hospitalar refere-se à tentativa de transformar hospitais em locais mais amigáveis, para os pacientes e seus acompanhantes. É importante salientar que a hotelaria hospitalar não é um sinônimo de luxo, mas sim uma forma de garantir o conforto, bem estar e a boa recuperação dos enfermos, através de condutas e serviços que são comuns ao ramo hoteleiro. Dessa maneira, um das formas de providenciar um melhor momento para os pacientes é o entretenimento através do uso das novas tecnologias, como televisões, tablets e smartphones, algo já utilizado na recreação hoteleira. Contudo, o uso de tais fatores acentua a postura ética no ambiente hospitalar humanizado, pois, dar relevância a estes pode contribuir para uma decisão mais positiva em relação às condições e assistência ao usuário, algo essencial da bioética, respaldado por Pessini e Barchifontaine (2000), em alguns tópicos como: evitar a omissão, priorizar a beneficência, (através de ações positivas, pró-ativas, assertivas, preventivas, etc.); a justiça e a distribuição universal e equitativa dos benefícios; a autonomia; o respeito à santidade da vida e à alteridade (perceber cada indivíduo como único e tratá-lo dessa forma). ### 3. Metodologia (neste tópico deve ficar claro COMO foi realizado o seu trabalho) Os requisitos foram elicitados a partir de entrevistas feitas com a equipe de Governança Clínica e análise de comentários postados nas redes sociais (Facebook e Google comentários), por parte de usuários, baseados nas experiências com o Hospital São Francisco de Assis. Seguindo as premissas do SCRUM Pressman (2011), foram realizadas reuniões semanais através da plataforma Google Meet, devido a inviabilidade de reuniões presenciais no contexto da pandemia do vírus COVID-19. Estiveram presentes nessas reuniões, os quatro alunos que estão desenvolvendo a aplicação, Carolina Barreto, funcionária da governança clínica, Guilherme Netto Lycarião, coordenador da governança clínica e Pedro, coordenador do departamento de tecnologia do hospital. ![](https://i.imgur.com/LLjSpiR.png) **Figura 2: Reunião no Google Meet** **Fonte: Gerada pelos autores** Nessas reuniões, foram discutidos os problemas do Hospital, os requisitos e escopo do projeto (Figura 2), posteriormente, foi apresentado protótipos das telas para validação, por parte do Hospital. Além disso, foi requisitado um acesso à VPN, para poder realizar testes no local em que a aplicação será utilizada. Após a validação dos requisitos, telas e VPN, será desenvolvida uma aplicação que fará a exibição das notícias, do horário e clima, quanto dos conteúdos para o entretenimento dos pacientes. Para as informações de notícia e clima, serão utilizados serviços de terceiros: a NewsAPI e a OpenWeatherAPI, respectivamente. Além disso, foi desenvolvido um Websocket utilizando o framework Nest.js, para ter uma conexão persistente com o servidor, possibilitando a constante atualização das notícias e do clima. Ademais, utilizamos o banco de dados PostgreSQL para armazenar as informações das notícias. Na exibição das informações, utilizamos a biblioteca React para criar componentes no frontend. ## Referências BEZERRA, Eduardo. **Princípios de análise e projeto de sistemas com UML**. 3. ed. rev. e atual. Brasil: Elsevier, 2015. 416 p. ISBN 978-85-352-2626-3. **DUARTE, Fernando**. Pela 1ª vez, mundo tem ‘mais avós do que netos‘: Pela primeira vez na história, há mais idosos no mundo do que crianças pequenas, informou a ONU.. BBC, [S. l.], p. 1, 3 abr. 2019. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-47799778. Acesso em: 27 ago. 2020. ESTATUTO DAS UNIVERSIDADES BRASILEIRAS. **Decreto nº 19851, de 11 de abril de 1931**. Dispõe que o ensino superior no Brasil obedecerá, de preferência, ao sistema universitário, podendo ainda ser ministrado em institutos isolados, e que a organização technica e administrativa das universidades é instituída no presente Decreto, regendo-se os institutos isolados pelos respectivos regulamentos, observados os dispositivos do seguinte Estatuto das Universidades Brasileiras. Brasil: Diário Oficial da União, ano 1931, v. 1, p. 325, 15 abr. 1931. Disponível em: https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1930-1939/decreto-19851-11-abril-1931-505837-publicacaooriginal-1-pe.html. Acesso em: 25 ago. 2020. HOSPITAL SÃO FRANCISCO. **QUEM SOMOS?**. Disponível em: https://www.saofrancisco.org.br/pt-br/institucional/quem-somos/. Acesso em: 20 ago. 2020. **OS CONCEITOS E PRINCÍPIOS DA HOTELARIA HOSPITALAR.** 1. Brasil: Portal educação, 2017. Disponível em: https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/educacao-fisica/os-conceitos-e-principios-da-hotelaria-hospitalar/15689. Acesso em: 25 ago. 2020. PRESSMAN, Roger. **Engenharia de software: uma abordagem profissional**. 7. ed. Brasil: AMGH, 2011. 780 p. ISBN 978-85-8055-044-3. RODRIGUES, Andréia Lilian; PRATA, Michelle; BATALHA, Taila Beatriz; COSTA, Carmen; PASSOS, Irazano. **Contribuições da extensão universitária na sociedade**. Cadernos da Graduação, Brasil, ano 2013, v. 1, ed. 2, p. 141-148, 25 ago. 2020. Disponível em: https://periodicos.set.edu.br/cadernohumanas/article/viewFile/494/254. Acesso em: 25 ago. 2020. **Pessini, L. & Barchifontaine**, C. P (2000). Problemas atuais de Bioética (5ª ed. revista e ampliada). São Paulo: Edições Loyola. **PORTAL da Transparência Saúde.** [S. l.], 2020. Disponível em: http://portaltransparencia.gov.br/funcoes/10-saude?ano=2020. Acesso em: 27 ago. 2020 **YOUSUF, Hamza**; NARULA, Jagat; ZWETSLOOT, Peter-Paul; HOFSTRA, Martijn; DE LEVITA, Alain; SCHERDER, Erik; VAN ROSSUM, Bert; HOFSTRA, Leonard. Using entertainment to improve lifestyles and health. The Lancet, vol. 394, nº 10193, p. 119–120, jul. 2019. DOI 10.1016/s0140-6736(19)30250-8. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(19)30250-8.