# Entrevista com o Diretor, Toshimasa Ishii # Projeto 86 Fui convidado pelo produtor Fujii Shota para dirigir 86. Fujii-san era um kouhai (júnior) meu quando eu ainda estava trabalhando em A-1 Pictures. Eu (Ishii) li a Light Novel pela primeira vez depois de entrar no projeto. Foi então que começou a conversa sobre 2 cours. Por isso, comecei a pensar na melhor forma de finalizar o primeiro cour... o que levou à ideia de ter Lena e Shin completamente separados e incapazes de se verem. *(NTD: 2-cour, split cour, anime dividido em 2 partes, no caso de "86: EIGHTY SIX", 11 e 12(?) episódios).* No final das contas, isso se tornou a direção da série, "um garoto conhece uma garota onde eles só conhecem a voz um do outro". Decidimos então colocar um pouco de elementos visuais emo (*felza*: em japonês, isso significa emocional) sobre ele. A questão então era como mostrar a relação de Shin e Lena com eles nunca se encontrando. “Nunca usar cortes”, enquanto é uma ideia maluca vem com o risco de entediar o público. Além disso, Shin e Lena serão mostrados "juntos" na tela em muitos pontos desta série, o que pode induzir o público a pensar que já se conheceram antes. Para evitar confusão, decidimos não ter cenas em que os dois estejam enquadrados ao mesmo tempo. ## A Equipe de produção Fujii também é quem monta a equipe (incluindo shiro kumi). Ele queria especificamente mais talentos veteranos, já que era minha primeira vez dirigindo uma série de anime para TV. Eu senti mais pressão durante o storyboard, porque ninguém corrigirá meus storyboards. Embora a Asato-sensei e os editores de 86 participem do progresso, em última análise, estou em posição de dar a palavra final. O que me deixa no controle de como o mundo de 86 se sentirá. Se eu fosse responsável pela produção, estaria trabalhando com limitações e diretrizes decididas pelo diretor, então na verdade vem com menos pressão. Além disso, os diretores precisam criar, mantendo a programação em mente, o que só aumenta a pressão. Além da limitação principal de nunca deixar Shin e Lena se conhecerem, também decidimos não incluir nenhum monólogo. Portanto, para tornar o programa mais acessível, optamos por usar palavras e frases mais simples. Ao contrário de um Novel em que a história pode ser apreciada mesmo sem diálogo, tivemos que brincar com os visuais e palavras para compensar a diferença. Em relação às limitações e maneiras de compensar isso, conversei com Oono-san durante a construção do roteiro. Mas mesmo assim, houve momentos em que só fui capaz de perceber a estranheza durante o storyboard. Se eu tivesse mais experiência, provavelmente seria capaz de notar todas essas esquisitices enquanto escrevia o roteiro. Este é o meu maior arrependimento deste projeto. ## **Pergunta: Como foram suas interações com Asato-san?** Ela participou de todas as reuniões de roteiro. Ela também forneceu muitos detalhes do personagem, analisou o diálogo e nos deu conselhos sobre muitas outras partes também. Embora a história seja principalmente sobre Shin e Lena, pudemos apresentar adequadamente os outros membros do Spearhead nos episódios 1, 2 e 6. Infelizmente, não pudemos dividir mais a história para dar a todos os 24 membros a mesma profundidade. Por outro lado, os mechas também são uma parte central desta série, então tivemos que nos certificar de exibi-los também. ## Os Mechas Sabíamos que os fãs estavam animados para ver as cenas de batalha de Mecha. É por isso que, como no episódio 2, deixamos Shirokumi realmente mostrar onde podem. Em termos de visual dos Mechas, estávamos inicialmente mais focados na textura e não no movimento. Especialmente, dadas as diferenças entre os Juggernauts de aparência degradada e a *Legion* de aparência alienígena, muito mais tempo e esforço foram colocados para tornar a textura dos modelos CG tão bons quanto possível. Enquanto misturávamos o Cel shading (**NTD**: [Técnicas empregadas na renderização de imagens 3D de modo que o resultado final se assemelhe ao de desenhos em 2D]((https://pt.wikipedia.org/wiki/Cel_shading))), as partes danificadas e a tinta arranhada tiveram que ser feitas em CG. Por exemplo, o Juggernaut foi projetado e texturizado para parecer "não confiável" sempre que estivesse na tela. Mesmo que todos os Mechas compartilhem um projeto estrutural semelhante, em termos de configuração, ainda existem muitas pequenas diferenças entre cada unidade. Com o Juggernaut, um dos principais "recursos" é que eles canibalizam peças de outros Juggernauts para reparo. Isso resulta na existência de pequenas diferenças, pois eles podem usar peças diferentes para reparo e, portanto, também afetam a forma como eles queimam. Para pelo menos dar uma sensação disso, um esforço extra foi colocado nas texturas do modelo. No papel, o Juggernaut foi feito para ser muito fraco. A fim de equilibrar isso com a unidade de Shin sendo a unidade protagonista, optamos por ter a batalha tensa assim que começar, em vez de a situação piorar conforme a batalha se arrasta. Em relação às lâminas de alta frequência usadas por Shin, usamos a descrição "cortar armadura como cortar água" como nossa principal inspiração. A parte mais difícil de visualizar era como o Juggernaut se move e como seu canhão é disparado. Tivemos que refazer a animação em execução muitas vezes, enquanto para o canhão usamos contrapartes da vida real como referência. Quanto à fumaça do canhão disparado, o diretor de ação (?) Usou imagens de expansão e contração rápidas para animá-la. Para criar o som de um Juggernaut, pegamos muitos samples e designs de motores e máquinas da vida real e os compartilhamos com Koyama-san para criar o som. Um exemplo simples, o Juggernaut sempre faz o som do motor enquanto a *Legion* não faz nenhum "som" (o que significa que a *Legion* não tem um som constante, como descreve a Light Novel). Mas para mostrar que eles estão se aproximando, adicionamos alguns ruídos estrondosos. Para o PARA-raids, por ser diferente do rádio, optamos por adicionar efeitos para não soar cru. Quanto ao tom quando o PARA-raid se conecta, usamos algo semelhante ao dos telefones, mas um pouco diferente para soar estranho. Para a música, tínhamos Sawano e Kohta-san a bordo e o conceito era criar música com base nos três lados principais da história: os 86 (Shin), San Magnolia (Lena) e a *Legion*. Em termos de imagem, passamos para Sawano e Kohta-san: para o lado de Lena "San magnolia é um lugar que sacrifica pouco e um lugar onde a Lena é a estranha", Para o lado de Shin "nos 86 há variedade, mas eles não têm futuro" e para a *Legion*" armas artificiais de ficção científica. ## Casting *(NTD: VA = Voice Actor)* O processo vai "etapa 1; revisão, etapa 2; audição" (a revisão é quando os VAs enviam falas deles apresentando falas para serem revisadas). Asato-sensei também esteve presente e compartilhou uma imagem semelhante para as vozes que gostaríamos para os personagens. Como haverá muitas cenas em que não haverá rostos acompanhando a voz, então nos certificamos de procurar especificamente por pessoas que poderiam agir bem apenas com suas vozes. Devido à Covid-19, não pudemos gastar muito tempo dirigindo o pós-gravação. Especialmente com a VA da Lena, ela sempre teve que gravar sozinha em uma cabine separada devido à posição de seu papel na história. Acho que isso permitiu que o nervosismo da Lena passasse naturalmente, mas me sinto um pouco mal... (risos) Por outro lado, Chiba-san (NTD: VA do Shin) teve o difícil trabalho de expressar um personagem que mostra poucas mudanças em suas emoções apenas por meio de frases curtas. Apesar de ter que fazer várias gravações, a maioria das primeiras tomadas de Chiba-san foram as melhores. Com certeza é porque Chiba-san tem uma imagem sólida de como o Shin é... Falando no Shin, a arte de seu personagem também foi uma das mais difíceis. Especificamente porque ele tem expressões completamente diferentes apenas com base em como os cantos de sua boca se movem. Quanto às expressões de Shin, dissemos ao Diretor Sakuga Tetsuya-san para fazer tudo, o que provavelmente foi muito difícil... Tanto o sakuga quanto a atuação para Shin tinham que ser extremamente afiados porque Shin na Light Novel não é alguém que se expressa fisicamente, mas também não queríamos que ele mantivesse uma expressão solitária o tempo todo. A guerra é deprimente o suficiente, mas se ele parecesse mais feliz, teria o efeito de tornar a situação da guerra ainda mais triste. Os Scavengers, como personagens, são separados tanto dos humanos quanto dos Juggernauts. Especialmente com Fido, o personagem mascote, sentimos a necessidade de torná-lo fofo o máximo possível. Por exemplo, embora os Scavengers devam ser mais rígidos do que os Juggernauts, tornamos o Fido mais flexível e cômico. Koyama-san provavelmente se divertiu muito fazendo os sons "pi" que Fido faz. (NTD: Na Light Novel, toda fala de Fido é descrita como "pi") ## **Pergunta: Fale brevemente sobre os episódios 1 e 2 que a arte incluiu neste BD** (NTD: Comentários sobre brindes que foram incluídos no BD) Queríamos mostrar o máximo de personagens que pudéssemos com os episódios 1 e 2. Com o episódio um, queríamos capturar o dia normal naquele mundo, especificamente a vida diária de Shin: comer comida, lutar contra a *Legion*, assistir companheiros de esquadrão morrer etc. O episódio 2 é quando Lena realmente se destaca em suas primeiras interações com Shin. Especificamente, o papel de Lena teve que cobrir muita exposição, mas também mostrar seu isolamento. ## **A falta de "variedade" em San Magnolia, conforme retratado nos Episódios 1 e 2** Especificamente no episódio um, as tomadas horizontais das ruas de San Magnolia foram uma forma de expressar não apenas a paz, mas também a falta de variedade. Se você olhar atentamente para as estátuas, os olhos e rostos parecem que foram mal reformados. Isso ocorre porque San Magnolia foi originalmente construída como uma cidade multicultural e pensamos que na tentativa de apagar todos os vestígios de outras culturas as estátuas foram modificadas por amadores. Além disso, a cor dos olhos e do cabelo dos personagens de fundo são todas iguais para fazer o mundo parecer mais quieto e parado. Queríamos usar esse motivo para levantar a questão de saber se Lena pode ou não escapar deste mundo imóvel e parado. No lado 86, decidimos adicionar uma sala de reunião que não estava presente na Light Novel, pois queríamos usar sua sala como o espaço pessoal de Shin. Além disso, embora os 86 não sintam muitas emoções negativas em relação à morte, acho que eles ainda a temem profundamente. Especificamente, os 86 tem medo de ser esquecido. Mas com Shin, o *Reaper* que sobreviveu a incontáveis batalhas, o resto da ponta de lança pode se sentir em paz. Portanto, decidimos projetar a sala de reunião e o refeitório para incluir detalhes que representem a crença dos 86 de que pelo menos Shin não os esquecerá e que eles já viveram neste espaço. Especificamente, na sala de Reunião, ele contém detalhes de "como os 86 viveram", não palavras, mas bijuterias, pôsteres e itens etc. Quanto ao Dining hall, queríamos usar cenas de 86 e Lena/Annette comendo como uma das maneiras de transmitir o tipo de mundo em que "86" se passa. Portanto, muitas dessas cenas aconteceram no episódio 1. Adoraríamos que as pessoas aproveitassem esses detalhes ao assistir novamente. Claro, o relacionamento de Shin e Lena é importante e começa no início do episódio 1, mas seria ótimo se o pano de fundo e os detalhes artísticos de cada cena fossem igualmente agradáveis para o público. ## Crédito do diretor Toshimasa Ishii, Diretor de Animação e Intérprete (Ator). Já havia trabalhado como Ator no anime "Uchuu Kyoudai" (Space brothers). Seu primeiro trabalho de direção foi no anime "Sobahe". # Entrevista com os roteiristas: Ohno Toshiya, Kurasumi Sunayama, Chiaki Nagai ## Uma história de guerra onde um garoto conhece uma garota > Como você foi chamado para equipe de produção? **Ohno**: Fui convidado pelo produtor Fujii (Shota). **Sunayama**: Fui apresentado a Fujii-san por outra pessoa. **Nagai**: Minha experiência foi a mesma do Sunayama-san. Porém, eu já tinha trabalhado com Ohno-san antes e disse que gostaria de trabalhar comigo novamente, então talvez ele tenha me recomendado. **Ohno**: Eu me lembro que quando Fujii-san me explicou a série pela primeira vez, ele disse que era “uma história de guerra, mas também de um garoto que conhece uma garota”. **Nagai**: Espere, nunca recebi essa explicação (risos). **Sunayama**: Disseram-me que esta seria uma história de estilo militar como o anime "GATE", que foi a última história de estilo militar em que eu tinha trabalhado. > Suponho que foi aí que começou escrita do roteiro. Como é que o trabalho foi atribuído? **Ohno**: Foi-me atribuído o cargo de Escritor Principal, por isso tive Nagai, Sunayama e o resto da equipe para ajudar a definir a direção geral do roteiro e então dividi-lo em partes. > Houve algum raciocínio para como o cenário foi dividido? **Ohno**: Não, nós apenas seguimos a ordem. **Sunayama**: Normalmente dividiríamos o cenário por causa da quantidade total de episódios, mas não desta vez. > Isso varia devido à natureza do trabalho? **Ohno**: Sim, mas curiosamente, geralmente a quantidade de episódios que cada roteirista recebe geralmente depende do que o roteirista faz bem. Então, mesmo apenas seguindo a ordem, em alguns pontos você perceberá que se tornou o responsável por um personagem específico. **Nagai**: Isso também acontece bastante na minha experiência. **Ohno**: Às vezes é personagem, mas outras vezes pode ser “gosto (para a história)” também. Por exemplo, em “86”, recebi principalmente partes de SoL (NDT: Slice of Life). **Sunayama**: Eu definitivamente senti que escrevi muito sobre o Rei. **Ohno**: Faz sentido. É provavelmente por isso que não me lembro de ter escrito muito sobre o Rei. As divisões baseadas no trabalho tendem a acontecer naturalmente assim. **Nagai**: Pensando bem, eu definitivamente escrevi um pouco sobre o cenário interno de Shin quando sua consciência está um pouco confusa. São principalmente cenas abstratas que são difíceis de descrever até que você realmente veja. O diretor ishii realmente me ajudou nisso. > Como capturou as peculiaridades e especialidades do "86" ao escrever roteiro? **Ohno**: Minha impressão depois de ler a Novel original é que a descrição natural da série é linda. No entanto, é uma das coisas mais difíceis de mostrar como um Anime. > É verdade, as descrições naturais definitivamente receberam mais atenção na Novel. **Ohno**: Claro, a separação entre o dia-a-dia inocente dos 86 em contraste com o campo de batalha brutal também é notável e eficaz. Além disso, tenho a impressão de que havia muitas descrições detalhadas dos alimentos. **Nagai**: Definitivamente, havia muitas descrições de comida na Novel. **Sunayama**: Outra coisa notável sobre 86 é que, embora um enredo brutal, os personagens nem sempre são pessimistas e deprimidos. Os 86 tendo chegado a um acordo com a morte, deixa o leitor à vontade e permite que a história seja mais do que brutal. Eu realmente gostei desse aspecto de “86”. **Ohno**: Depois de assistir o produto completo, fiquei surpreso ao ver que Shin era mais ingênuo e infantil do que eu pensava. Claro, dada a sua idade, faz sentido, mas ao escrever, imaginei que ele fosse um pouco mais velho por ter lutado tantos anos em um campo de batalha daquele jeito. > É muito natural vê-los como um pouco mais velhos, já que passaram por muitas batalhas brutais. **Ohno**: Eu tinha a impressão de que Shin e Rei tinham uma voz profunda, mas eram crianças tentando se matar. **Nagai**: Isso definitivamente torna tudo mais brutal. **Ohno**: Eu acho que essa brutalidade realmente eleva “86” como um todo. > O que você acha, Nagai-san? Eu concordo com Ohno-san. Eu também fui sugado pela bela descrição natural. Funcionou bem em contraste com as cenas de batalha e como um todo, “86” realmente pinta uma imagem clara em sua mente enquanto você lê. Pessoalmente, eu estava um pouco nervoso por vir, já que nunca havia trabalhado em obras de Mechas ou Guerra, mas o elenco de Spearhead realmente me ajudou a entrar. ## A brutalidade de crianças se matando > O diretor Ishii deu a vocês algum ponto de foco ou direção geral para escrever o cenário? **Sunayama**: Especificamente, “Sem monólogos”. **Nagai**: Sim. **Ohno**: Além disso, para dividir o lado Lena e o lado Spearhead completamente. Tivemos que fazer a engenharia reversa do script com essas regras em mente. > Então, basicamente, nenhum corte é permitido. **Ohno**: Sim. Eu me acostumei com isso no meio do caminho, mas as regras definitivamente impactaram fortemente tanto o roteiro quanto a atuação. No final das contas, acho que isso tornou a série única. > Sobre os Mechas, existe algum método específico para escrever mechas? **Ohno**: Fundamentalmente, nós apenas seguimos a maneira como é escrita na Novel, as cenas de batalha no produto final foram definitivamente mais impactantes do que o esperado. **Sunayama**: Uma coisa que eu tinha em mente era que, como a *Legion* não era tripulada, eu queria expressar o terror de uma máquina assassina inorgânica. Mas isso dependia mais dos visuais do que do roteiro. **Ohno**: Embora “86” tenha muitas cenas de batalha, eu ainda acho que é mais sobre drama humano. Especificamente, Shin e Lena sendo conectados apenas pelo som também ressoa de forma interessante com a realidade o desastre da Covid em que vivemos. **Takashi**: Na verdade, não poder nos encontrar pessoalmente é algo que também enfrentamos na vida real. **Ohno**: O senso de justiça esmagador de Lena também seria bastante problemático em nossa realidade. **Sunayama**: Ela provavelmente odeia boomers também (risos) **Ohno**: especialmente quando ela foi repreendida por Karl no episódio 4, o diálogo lá é poderoso. **Nagai**: Concordo **Ohno**: fundamentalmente, as histórias são construídas em seus diálogos. Você não pode apenas ter ideais e nada mais. **Sunayama**: Outra semelhança com a nossa realidade. >Você diria que, como resultado, a história é relacionável e moderna? **Ohno**: Eu acho que é definitivamente relacionável. A peça central da história é definitivamente observar o que Lena, uma jovem cheia de ideais que está sendo destruídas pela dura realidade, vai fazer. Enquanto isso, Shin e companhia estão bastante maduros. > Esse é o infeliz resultado da situação. **Ohno**: Eu tenho pena deles. Especialmente porque os 86 deixam bem claro para Lena que eles são diferentes. Isso torna o contraste entre os 86 brincando no rio no episódio 3 e Lena sendo ouvindo as diferenças entre os 86 e ela ainda mais impactante. > Como foram suas reuniões com Asato-sensei? **Ohno**: Asato-san era realmente flexível sobre tudo, entendendo perfeitamente que animes e Novels são completamente diferentes. Esta é a primeira vez que vejo um Autor em todas as reuniões, o que ajudou muito. **Sunayama**: Especialmente quando podemos obter respostas imediatas às perguntas e pensamentos sobre sugestões, foi muito útil. **Ohno**: Ela também participou da direção de diálogos também. **Sunayama**: Ela é definitivamente a pessoa com a ideia mais clara de quem deve responder quando e o que em uma conversa envolvendo vários membros do esquadrão Spearhead. **Nagai**: Poder ter respostas imediatas sobre essas coisas significava fazer alterações imediatas no roteiro também era mais fácil. ## Como expressar o “...” do Shin *(NTD: Nas novels, no lugar de fala do Shin muitas vezes está escrito "...", representando silêncio, não respondendo ou ignorando. Isso ocorre com bastante frequência e faz parte da personalidade do personagem, Shin não é de se expressar muito).* **Ohno**: A parte mais difícil foi como expressar a formação e a individualidade do personagem individual. Não podíamos evitar a adição de conteúdo original, então ter que inserir essas coisas respeitando o material de origem foi especialmente difícil. Além disso, desta vez são 2-cours, o que só torna mais difícil a solidificação da estrutura. **Sunayama**: Eu só entrei no projeto em março de 2019, então já se passaram 2 anos inteiros desde então. **Ohno**: Nesse caso, seriam 2 anos e meio no total para mim. Isso realmente contribui para a sensação de realização que senti no final. Nagai-san, você enfrentou alguma dificuldade notável? **Nagai**: Para mim, ainda é a estrutura da parte A-B dividida entre o lado Lena e o lado Spearhead. **Ohno**: Também existe a parte C **Nagai**: sim, ter que nos dividir em partes A-B significa que tivemos que reestruturar todo o conteúdo da Novel, que é o “conteúdo original do anime” de que Ohno-san falou. Tivemos que criar cenas e fundos apenas para conectar cenas e diálogos individuais em cima da estruturação do conteúdo existente. Isso significava que tínhamos que realmente entrar na cabeça dos personagens, entender seus motivos e como eles agiriam e pensariam. **Ohno**: Principalmente porque eles vivem uma realidade muito diferente da nossa. **Nagai**: Também foi muito difícil se relacionar com Lena, uma jovem oficial do exército em uma posição privilegiada (risos). Tínhamos que ter certeza de que seus atributos positivos se destacassem, apesar de ela estar em uma posição tão privilegiada **Ohno**: Entendo. Além disso, Shin teve muitos momentos “...” também. **Sunayama**: Ele realmente não fala muito (risos) **Takashi**: Shin não só fala pouco, sua expressão também não muda muito. Além disso, Shin também teve uma educação ainda mais particular, o que tornava difícil imaginar como ele agiria fora de momentos sérios. **Ohno**: Definitivamente, passei mais tempo pensando nisso do que lendo a Novel. > Houve alguma parte que foi difícil para você, Sunayama-san? Não apenas em relação a Novel, mas também incluindo o conteúdo original do anime. **Sunayama**: Na verdade, eu me diverti muito escrevendo as partes originais do anime. Especificamente, a cena da escola no episódio 11 foi muito divertida. Claro, eu recebi alguns “não é assim que funciona” da Asato-sensei, mas isso incluído foi o que tornou a criação de cenas originais muito divertida para mim. As partes difíceis foram como Ohno-san disse há pouco, Shin não fala muito. Mesmo que ele fale, nem sempre é o que ele realmente pensa e às vezes é apenas o que um soldado diria. Isso me deixou ansioso para saber se o público seria capaz de captar seu estado emocional naquele momento. Ter que calcular o ritmo das falas e momentos de mostrar sua emoção foi realmente difícil. > Incluindo ter que mostrar “…” visualmente de alguma forma? **Sunayama**: Sim. Em obras que incluem monólogos, temos uma visão fácil das emoções e pensamentos internos dos personagens. Mas, neste caso, ter que expressar o significado por trás de “...” sem monólogos, me deixou nervoso sobre se o público seria capaz de entender. **Ohno**: Shin também não é um personagem que usa um monólogo para expressar suas emoções e pensamentos. Frequentemente, cabe a outras pessoas, especificamente Raiden, traduzir para o público. > Houve algum personagem ou cena que foi divertido de escrever? ### (NTD: **Aviso de Spoilers da parte 2 do anime**) **Ohno**: Eu realmente gosto de escrever as cenas da Annette e Lena desfrutando de lanches. Além disso, as cenas dos 86 brincando entre as cenas de batalha também foram divertidas de escrever. **Sunayama**: Os personagens apresentados no cour 2 foram os mais interessantes para mim, pois eram tipos de personagens diferentes daqueles que apareceram no cour 1. **Nagai**: Para mim, foram as cenas em que os ideais dos personagens se chocaram. Especificamente, Lena e Annette, e a cena final de Lena e Karl. **Ohno**: Essas cenas não são realmente pesadas? (riso) **Nagai**: Sim. Mas acabei gostando muito da cena em que Lena encara Annette na chuva. ## Shin e companhia serem forçados a lutar é doloroso de assistir, mas também o que faz a série valer a pena assistir > Houve momentos que destacaram as diferenças de rítimo entre o cour 1 e 2? **Sunayama**: O posicionamento dos personagens é diferente no cour 2, portanto, o fluxo de diálogo é diferente. Não sei como aparecerá visualmente no produto final, mas estou ansioso por isso. O cenário e sua cultura também são diferentes, o que provavelmente deixará uma impressão diferente nos espectadores. **Nagai**: Eu realmente não escrevi com um rítimo diferente entre os cours. No entanto, as situações e estados mentais de Lena e Shin mudaram muito, então me certifiquei de manter isso em mente enquanto escrevia. Uma vez que a situação, o ambiente e os relacionamentos também mudam durante o cour 2, eu tive que me certificar de que não pareceria muito chocante quando isso acontecesse. > O que você diria que é o ponto de venda do enredo de cour 2? **Ohno**: Enquanto Shin e o Spearhead só podem viver no campo de batalha, vê-los sendo forçados a lutar é doloroso e também o ponto de venda do cour 2. Além disso, ver lentamente o Shin mudar levemente também foi interessante para mim enquanto escrevia o roteiro. **Sunayama**: Se você não leu o material original, então um grande argumento de venda é definitivamente o que acontecerá com Shin e Lena. Como uma história, acho que cour 2 é mais agradável se você manter Shin e Lena em mente. **Nagai**: Shin e Lena experimentam uma grande mudança em sua posição e ambiente desde o cour 1. Fundamentalmente, eles ainda são a mesma pessoa, espero que Lena especificamente, tendo se tornado uma pessoa mais forte no cour 2, seja expressa visualmente também. > Por último, fale brevemente sobre pontos notáveis nos episódios 3 a 5 que estão incluídos neste blu ray. **Ohno**: Nessa guerra terrível, ver a possibilidade de Lena e os Spearheads formarem uma amizade apesar de suas diferenças, para então ser mostrado como isso é apenas um sonho, é a chave para esses episódios. Normalmente, a pessoa desistiria, mas ver Lena tentar ir para frente apesar de tudo é emocionante. **Sunayama**: Eu estava encarregado do episódio 5, se bem me lembro, é a introdução do Rei. Eu realmente gostei de escrever a conversa entre Shin e Lena, eu tive muita sorte de ter recebido uma cena tão agradável para escrever. Além disso, no episódio 5, ver o contraste entre o gentil Rei e o estrangulamento de seu irmão por ele também foi um momento chave na história geral. **Ohno**: Isso faria do episódio 4, o que escrevi, o ponto de quebra do enredo até agora. Nagai: Eu só entrei no episódio 7, mas o enredo quebrado no episódio 4 e no episódio 5 sendo o início de algo novo definitivamente deixou uma impressão. A cena no início do episódio 5 é o único momento que quebra a ordem cronológica da série até agora e ter esse momento marcar o início de um novo desenvolvimento do enredo é em retrospecto, realmente eficaz. # Perfil Ohno Toshiya, Escritor Principal. Outros trabalhos recentes incluem “Promise Neverland” e “Land of the Lustrous” como escritor principal. Kurasumi Sunayama, roteirista. Outros trabalhos recentes incluem “New Sakura Taisen The Animation” e “Baki”. Chiaki Nagai, roteirista. Trabalhou recentemente em “22/7” como roteirista principal com Miyajima Reiji e em “Horimiya” como roteirista. # Créditos JP-EN: **felza**, Discord de 86 Volume 1 do BD Usuários da comunidade por fornecer algumas partes em Japonês, melhoria na tradução Português @Glitchy, (Tt: @Floodeer_) # Etc Na Light Novel, "86" pode ser usado no plural ("Os 86"). Tentei mater os nomes originais (LEGION, por exemplo, não traduzindo para Legião, Fido que é um tipo Scavenger, etc). *Tradução bem rapidinha só olhando, corrigindo e digitando, modificações para melhorias/correções podem ser feitas ao passar do tempo* "NTD": Nota do Tradutor, todas foram adicionadas por mim. Partes com (?) significam que a tradução pode não se apresentar 100% correta. 笑!