Como fabricar explosivos em casa === Todo explosivo é composto de 2 componentes, o oxidante e o combustível. Para nosso objetivo, o primeiro e mais importante a ser estudado é o oxidante, pois é ele que liberando oxigênio torna a reação rápida o suficiente para ser considerada explosiva. Oxidantes geralmente são cloratos, percloratos ou nitratos, não se preocupe com estes nomes agora, eles vão fazer mais sentido lá na frente. Se você observar na tabela periodica abaixo, vai ver que tem o grupo laranja (metais alcalinos) e o grupo verde (não metais). ![](https://ptable.com/Images/tabela%20peri%C3%B3dica.png) Esses elementos se combinados e trabalhados, são extremamente reativos, mas não tão reativos a ponto de reagirem espontaneamente com o ar ou água (os metais alcalinos em sua forma pura/metálica, são extremamente reativos com água e oxigênio, no primeiro caso, até explodem), no entanto, dificilmente encontramos na natureza esses elementos em sua forma pura, justamente por serem muito reativos, e mais difícil ainda é encontrar para vender, pois são controlados. Felizmente com alguns truques de química, podemos usar substâncias encontradas em casa com estes elementos combinados e até para vender, e transforma-las em poderosos oxidantes para nossos explosivos. Vamos primeiro ter uma noção da quantidade de explosivos que queremos fazer, o primeiro passo será fazer [eletrólise](https://pt.wikipedia.org/wiki/Eletr%C3%B3lise) da substância escolhida dentro de alguns parâmetros. Tabela de solubilidade aproximada a [CNTP](https://pt.wikipedia.org/wiki/Condi%C3%A7%C3%B5es_normais_de_temperatura_e_press%C3%A3o) 20Cº~30Cº em 100 ml de água. | Substância | Formula | Água (H20) | Metanol (CH3OH) | Acetona C3H6O | Hexano (C6H14)| Ether (C4H10O) | |------------------------|---------|------------|-------------------|---------------|---------------|----------------| | Perclorato de amonia | NH4ClO4 | 20.85g | | | Insolúvel | | | Clorato de amonia | NH4ClO3 | 28.7g | | | | | | Cloreto de amonia | NH4Cl | 0.499g | | | | | | Perclorato de Potássio | KClO4 | 1.68g | | | | | | Cloreto de Potássio | KCl | 34.2 | | | | | | Clorato de Potássio | KClO3 | 7.3g | | | | | | Perclorato de Sódio | NaClO4 | 201g | 14,7 g | | | | | Clorato de Sódio | NaClO3 | 95.9g | 14,7 g | Mod Solúvel | | | | Cloreto de Sódio | NaCl | 35.89g | 1,49g | | | | Referência: https://en.wikipedia.org/wiki/Solubility_table Nessa simples tabela podemos observar um padrão, o potássio, diferente do sódio, tende a ficar cada vez menos solúvel, conforme ganha oxigênio. Isso é uma coisa boa, quer dizer que o potássio fica menos [higroscopico](https://pt.wikipedia.org/wiki/Higroscopia) que o sódio, isso significa que ele tende a absorver menos água, o que é bom para um explosivo. O ideal seria utilizar como início o cloreto de potássio, mas como o cloreto de sódio é mais comum, acredito que a maioria das pessoas irão utiliza-lo para começar. Isso traz algumas implicações, a extração do cristal baseado em potássio será muito mais fácil, pois ele precipitará, conforme a reação eletrolítica acontece, já o cristal baseado em sódio, só precipitará em duas ocasiões, na evaporização da água, ou na diminuição da temperatura do soluto, essas duas ocasiões também são válidas para o cristal baseado em potássio, embora não sejam necessárias. Então se você optar por usar sódio, terá um oxidante higroscópico, com uma qualidade inferior, e de difícil produção. Pode-se obter o clorato de sódio (NaClO3) por elétrolise ou evaporação do hipoclorito de sódio (NaClO, também chamado de cloro ou agua sanitária), assim pulando a etapa da eletrólise, aproximadamente 11g por 1,6L de água sanitária. O clorato de sódio é dissolvido em alcool, dessa forma é possível purificar o clorato separando-o de elementos indesejáveis. Da mesma forma o perclorato de sódio é dissolvido em acetona, podendo separar de elementos insolúveis em acetona. É possível obter cloreto de amonia, misturando bicarbonato de amonia, carbonato de amonia ou amonia em ácido clorídico (HCl). Misturando soluções de cloreto de amonia com perclorato de sódio se obtem perclorato de amonia. ### Eletrósile do cloreto de sódio (NaCL) Pra cada 500ml de água, dissolva 180g de cloreto de sódio (sal de cozinha) ou 180g de cloreto de potássio, ou dissolva até [saturar](https://pt.wikipedia.org/wiki/Satura%C3%A7%C3%A3o_(qu%C3%ADmica)) a quantidade de água escolhida. Agora você precisa de um recipiente que suporte o volume da subtância dissolvida, que não reaja com a substância e que suporte temperaturas até 100Cº sem sofrer danos. As melhores escolhas são: * Vidro borosilicato * Vidro comum * Polietileno * Polipropileno Você também vai precisar de uma fonte de energia elétrica, preferencialmente DC por razões de segurança. Para evitar a oxidação dos eletrodos e aumento da temperatura da substância dissolvida, a tensão não deve ultrapassar 5 volts. Quanto maior a corrente (ampere) melhor pois tornará o processo mais rapido, mas muita corrente pode esquentar a substância dissolvida muito rapidamente causando sua evaporação. Caso isso aconteça, coloque a célula de eletrólise em banho maria. Você pode usar uma Fonte de PC ![Fonte de PC](http://www.fcnoticias.com.br/wp-content/uploads/fonte-para-pc-boa-e-barata.jpg) Preferêncialmente a alimentação do processador 3vdc, ou qualquer saída que combine os fios vermelho e preto, pois são 5vdc. Evite os fios amarelos pois são 12vdc. ![Fios](http://sti.br.inter.net/elucas/artigos/fonte-TK/fonteTK12.jpg) Você vai precisar também de eletrodos, eles ficarão em contato com a substância dissolvida. O ideal é ter eletrodos não reagentes com a substância ou pouco reagentes como platina, titânio ou grafite. Para baratear o processo, o catodo pode ser qualquer metal condutor, porém dê a devida atenção ao anodo, pois é nele que ocorrerá a oxidação. ![Célula](http://www.sistemanovi.com.br/basenovi/image/ConteudosDisciplinas/71/225/1833/301434/pilha.png) Você não deve ter muitos problemas com anodo de titânio ou platina, porém o anodo de grafite tende a se dissolver com o tempo e anodos de quaisuqer outros metais estarão completamente decompostos em pouco tempo. Cuidado ao usar aço encontrado em casa (prego e parafusos) pois contém cromo em sua liga, elemento carcinogênico e extremamente tóxico em sua forma hexavalente. Hastes de grafite podem ser encontradas dentro de baterias, mas tome cuidado ao desmonta-las (use luvas de borracha e oculos de proteção) pois o possuem ácido sulfurico, extremamente corrosível. Existem eletrodos inertes, porém são caros pois geralmente são feitos ou revestidos de nickel, platina ou titanio. Tendo tudo pronto, coloque os eletrodos na célula e ligue a fonte, para isso procure o maior dos conectores e ligue o fio verde (ps_on)com qualquer fio preto. ![](http://e.cdn-hardware.com.br/static/books/hardware/cap8-3_html_3b469061.png.optimized.jpg) Se tudo ocorrer bem, você vai notar um bobulhamento nos eletrodos, isso significa que a reação está acontecendo. Agora, preste muita a atenção, essa reação libera gas cloro, que é tóxico para respirar, e gas hidrogênio, que é asfixiante e extremamente explosivo, então faça tudo em local aberto e arejado. ![](http://www.techenet.com/wp-content/uploads/2014/09/Eletr%C3%B3lise-da-%C3%A1gua.jpg) O tempo que a reação vai levar vai depender do volume da sua subtância, se você não quiser obter percloratos, deve manter a subtância em temperatura ambiente todo o tempo. Normalmente leva algumas semanas em grandes quantidades, você deve checar diaramente a reação para tentar notar as seguintes coisas: * Oxidação do anodo * Nível da substância (devido evaporação) * Precipitação de cristais Se o anodo estiver gasto, você deve filtrar a substância para remover a contaminação do anodo e usar outro anodo. Apenas adicione agua, caso o nível da substância esteja muito baixo, tente diminuir a temperatura e descobrir o que causou seu aumento. Caso esteja utilizando oxidantes a base de potássio, a precipitação de cristais (com o mesmo nível de líquido) é sinal de que a reação está quase completa. (tente lembrar do volume de sal que você dissolveu, você terá uma quantidade parecida de cristal precipitado) Se estiver usando oxidantes a base de sódio, não haverá precipitação. Para saber se a reação esta completa ou não, só evaporando o líquido, secando o cristal e testando a queima. Voltando ao oxidante a base de potássio, assim que a reação terminar, você pode colocar o recipiente no freeze, para ajudar a precipitar o restante da substância dissolvida. Após totalmente precipitado, derrame o liquido e seque o sal. ![](http://pyrodata.com/sites/default/files/styles/medium/public/potassium_chlorate.jpg?itok=NZmr1e8p) Este é seu oxidante! Se estiver trabalhando com cloratos ao invés de percloratos, tome muito cuidado, pois são extremamente reativos e podem explodir com impaco/atrito, percloratos são mais resistentes a atrito. O combustível pode ser qualquer coisa, mas um bom combustível pra início e teste de queima é o açucar de cozinha. Tanto no caso do açucar quanto do oxidante, quanto mais fino o pó melhor, mas nunca tente afinalos combinados, pois como falei o menor impacto pode explodir tudo. Na hora de combinar, tome muito cuidado, o ideal é utilizar um papel dobrado ao meio duas vezes, e fazer o movimento de dobra em ambos eixos. ![](https://4.bp.blogspot.com/-Ys0IU2VjBGk/UCliXZWnX4I/AAAAAAAAHZw/oDb4PGp87VQ/s1600/find-center.png) Trabalhe sempre com pequenas quantidades.